sexta-feira, julho 21, 2006

o que sempre esteve lá

Achei que o caminho estivesse livre e tentei avançar um pouco. Encontrei algumas pedras, alguns espinhos, mas continuei seguindo. Eu sou teimoso. Olhava para trás buscando a segurança que eu tinha nos teus olhos, no teu toque, mas já não mais te ouvia. Você me berrava que seguisse em frente, que não me prendesse, e eu dizia que já não me prendia, ainda que tivesse meus pés sempre um passo atrás.

Eu tentava te deixar, mas se largava um pé, logo te prendia a mão.

Tentei até fechar os olhos pra fingir que não te via, que não te sentia. E até acreditei. Acreditei até sentir você de novo. E suas mãos não mais me seguravam, mas sim a de um outro. E o outro segurava-se em você, com unhas e dentes, num amor louco, desses de cinema. E você não via mais minha mão, nem eu dependurado por um fio de cabelo, tentando mergulhar e esquecer, mas ainda atado a você num forte nó. E sempre que eu achava que eu ia, o nó apertava e eu voltava pro que eu já conhecia, para aquela segurança de ter meus pés no chão. Eu tinha isso com você.

Até tentei falar com seu novo amor, e ver você com seu novo amor, mas quando abri meus olhos eu vi a tristeza que eu me encontrava, tão feio, esquecido, tão frio. E as vozes diziam "Não insista" e eu continuava te buscando, levando pedras no peito, e a dor de te ver feliz com a mão do outro na tua.

Eu tentei outros sabores, até mesmo de outros estados. Por um momento me enganei e pensei que era o que queria. Novos sabores! E fui a lugares altos, e lugares distantes acreditando na possibilidade de uma nova chama. Mas daí veio o silêncio, a chama se apagou e eu abri os olhos e me vi ali. Doeu, sim. E a nossa refeição a três foi deixada de lado. Porque eu fraquejei. É, às vezes eu sou fraco mesmo.

Aí fechei mais uma vez os olhos... pelo menos pra fingir que não gosto mais de você.

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