Sempre fui um cara muito organizado e que tinha tudo planejado, esperando tudo dar muito certo. Sempre fui assim. Fazia meus movimentos perfeitamente anotados e com todos os possíveis erros e suas soluções pensados e decorados para não tomar um passo fora do meu controle. Acho que na verdade eu sempre quis estar no controle. Fiz minhas duas faculdades, me formando nelas com notas muito boas e certa notoriedade perante a professores e colegas de turma, tentando mesmo mostrar que eu sou bom naquilo que faço, naquilo que eu adoro. Sempre muito bem planejado, apesar da mudança para o Rio me cair como uma surpresa, sem planos, endereço ou documento. E foi a mudança que me mudou. Eu deixei as rédeas soltar. Queria experimentar o novo. Queria experimentar o que era aquele gostinho de “deixa a vida me levar”, sabe, que todo mundo sempre fala. E fui deixando. Passinho a passinho, mas fui deixando e fui descobrindo caminhos que talvez, estando eu sobre total controle, não me permitisse tomar. Ser prudente era meu lembro. Lembro até a Thereza dizendo que eu era perfeccionista demais, otimista demais. “Espere sempre o pior das coisas”, dizia ela com o cigarro na boca e a Coca-cola na mão. E eis que, novamente, para minha surpresa vem o acaso. Essas coisas que acontecem sem a gente planejar e cá estou eu... seguindo um caminho que não é o que eu planejei, frustrado como eu não planejei, querendo correr como não planejei. Perdido, como não planejei. Pra onde eu corro? Posso gritar agora?
sexta-feira, setembro 29, 2006
speak out
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