Às vezes eu fico pensando: eu odeio ser normal. Me incomoda o sentimento de ser "mais um", de não fazer a diferença, de não ter nada pelo qual seja lembrado. Então logo penso nesses meus amigos que fazem de tudo, e o tudo que fazem (seja muito ou pouco) sempre dá certo, sempre tem destaque. Inveja? Acho que sim, um pouco. "Inveja verde", eu diria, mas ainda assim inveja.
Desde que eu me entendo por gente eu quis ser um número. Quis ser alguém por quem as pessoas passassem sem notar. A verdade é que cresci numa cidade minúscula onde qualquer passo meu era como que vigiado pelos olhos alheios e minhas palavras captadas pelos ouvidos em paredes e em todos os lugares. Sempre tive muita cautela com o que eu fazia para tentar não chamar a atenção desse povo sem vida. E sempre, não importa aonde fosse, me sentia sufocado, encubado, encarcerado e vivia com o sonho de fugir para uma cidade grande onde eu deixasse de ser rotulado como filho de "não sei quem" ou o que tem "sei lá quê" e ser apenas um número - meu CPF talvez, ou o número do meu cartão de crédito - e poder andar pela rua sem ser reconhecido, sem que me dessem a menor bola, poder ser eu, sem julgamento. Esse era meu sonho e foi o que consegui.
Com a faculdade eu consegui também a dádiva do anonimato, mas esqueceram de me avisar que conquistando o anonimato vinha um extra no pacote: o preço que se paga para ser um número é cair no esquecimento. As pessoas esquecem de números. E hoje é assim que eu me sinto, as vezes: como um número esquecido ou um número do qual alguém apagou um dígito e modificou o seu sentido --- por exemplo, se você apaga o zero de 1000, vc apaga a identidade dele de mil, e o mil passa a ser o cem. Qual o sentido do mil sem seu terceiro zero? E eu me sinto assim: um cem sem o terceiro zero - sem sentido. Falta algo. E tenho medo que das coisas que eu fiz nenhuma seja lembrada. Bom, talvez no qdia que eu morrer, aí sim serei lembrado, não como um CPF, mas como o fator X -- aquele número que está ali na equação, faz a diferença, mas que só significa alguma coisa se tiver alguém disposto a encontrar o seu valor.
Será que eu ficarei gravado na História ou apenas na história daqueles que me cercam? Se Clark Kent sonhava em ser normal, trocava de vida com ele sem hesitar para poder fazer essa diferença. Mas ainda há uma chance. E não preciso ser super pra isso. Basta pensar que uma hora alguém vai me resolver e descobrir o meu valor.
*este post não reflete o meu estado de espírito no momento. de vez em quando, talvez...
Desde que eu me entendo por gente eu quis ser um número. Quis ser alguém por quem as pessoas passassem sem notar. A verdade é que cresci numa cidade minúscula onde qualquer passo meu era como que vigiado pelos olhos alheios e minhas palavras captadas pelos ouvidos em paredes e em todos os lugares. Sempre tive muita cautela com o que eu fazia para tentar não chamar a atenção desse povo sem vida. E sempre, não importa aonde fosse, me sentia sufocado, encubado, encarcerado e vivia com o sonho de fugir para uma cidade grande onde eu deixasse de ser rotulado como filho de "não sei quem" ou o que tem "sei lá quê" e ser apenas um número - meu CPF talvez, ou o número do meu cartão de crédito - e poder andar pela rua sem ser reconhecido, sem que me dessem a menor bola, poder ser eu, sem julgamento. Esse era meu sonho e foi o que consegui.
Com a faculdade eu consegui também a dádiva do anonimato, mas esqueceram de me avisar que conquistando o anonimato vinha um extra no pacote: o preço que se paga para ser um número é cair no esquecimento. As pessoas esquecem de números. E hoje é assim que eu me sinto, as vezes: como um número esquecido ou um número do qual alguém apagou um dígito e modificou o seu sentido --- por exemplo, se você apaga o zero de 1000, vc apaga a identidade dele de mil, e o mil passa a ser o cem. Qual o sentido do mil sem seu terceiro zero? E eu me sinto assim: um cem sem o terceiro zero - sem sentido. Falta algo. E tenho medo que das coisas que eu fiz nenhuma seja lembrada. Bom, talvez no qdia que eu morrer, aí sim serei lembrado, não como um CPF, mas como o fator X -- aquele número que está ali na equação, faz a diferença, mas que só significa alguma coisa se tiver alguém disposto a encontrar o seu valor.
Será que eu ficarei gravado na História ou apenas na história daqueles que me cercam? Se Clark Kent sonhava em ser normal, trocava de vida com ele sem hesitar para poder fazer essa diferença. Mas ainda há uma chance. E não preciso ser super pra isso. Basta pensar que uma hora alguém vai me resolver e descobrir o meu valor.
*este post não reflete o meu estado de espírito no momento. de vez em quando, talvez...
Um comentário:
Entao... reescrevendo... com o que eu lembrar...
acho que nao se cai no esquecimento.. e acho que te dei a prova nestes ultimos dias...
acho que ninguem cai no esquecimento... lembramos das pessoas que nos sao importante, que fizeram parte de algum passado nosso... tem gente no mundo q desconhece Hitles, Einstein, Cindy Crawford, Elvis, etc... mas tem gente que lembra deles de todo o jeito... acho que lembrar e esquecer se condiciona a viver... como vamos lembrar de uma pessoa com quem nunca convivemos (mesmo virtualmente)...
eu quero, sim,m que meus amigos se lembrem de mim.. mas faço questao de nao ser lembrado por quem sequer me conheceu... talvez por isso nao tenha o desejo da fama em minhas veias... mas o carinho de querer estar no coração de todos que me são queridos...
enfim.... eh minah visao...
take care...
kisses, hugs and mint
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