sexta-feira, setembro 29, 2006

speak out

Sempre fui um cara muito organizado e que tinha tudo planejado, esperando tudo dar muito certo. Sempre fui assim. Fazia meus movimentos perfeitamente anotados e com todos os possíveis erros e suas soluções pensados e decorados para não tomar um passo fora do meu controle. Acho que na verdade eu sempre quis estar no controle. Fiz minhas duas faculdades, me formando nelas com notas muito boas e certa notoriedade perante a professores e colegas de turma, tentando mesmo mostrar que eu sou bom naquilo que faço, naquilo que eu adoro. Sempre muito bem planejado, apesar da mudança para o Rio me cair como uma surpresa, sem planos, endereço ou documento. E foi a mudança que me mudou. Eu deixei as rédeas soltar. Queria experimentar o novo. Queria experimentar o que era aquele gostinho de “deixa a vida me levar”, sabe, que todo mundo sempre fala. E fui deixando. Passinho a passinho, mas fui deixando e fui descobrindo caminhos que talvez, estando eu sobre total controle, não me permitisse tomar. Ser prudente era meu lembro. Lembro até a Thereza dizendo que eu era perfeccionista demais, otimista demais. “Espere sempre o pior das coisas”, dizia ela com o cigarro na boca e a Coca-cola na mão. E eis que, novamente, para minha surpresa vem o acaso. Essas coisas que acontecem sem a gente planejar e cá estou eu... seguindo um caminho que não é o que eu planejei, frustrado como eu não planejei, querendo correr como não planejei. Perdido, como não planejei. Pra onde eu corro? Posso gritar agora?

o que te basta

Quem já não teve vontade de voar, de abrir as asas e passear por aí, num vôo rasante sobre o mar ou lá no alto vendo o Rio, as praias, as pessoas pequenininhas, o tráfego engarrafado do Zuzu Angel ou na Niemeyer às nove da manhã? Ou correr na chuva pelo calçadão de Ipanema, todo molhado, sem pensar em nada, só ir correndo e vivendo? Ou de pular da Rio-Niterói ou do Pão de Açúcar sem se espatifar lá embaixo? Ou de sair rindo daqueles estressados no carro da outra pista quando a sua flui perfeitamente? Quem nunca pensou em encontrar um grande amor e sorrir e rir e beijar e transar e parar e viver... só viver, e ver que aquilo era tudo o que te faltava, e bastava.

umas linhas sobre passado

Você diz que não gosta quando eu falo de você. E eu sei disso. Por que você acha que eu falo? Eu acho que gosto de te irritar. Eu gosto de deixar você nervoso, de te apunhalar de longe e te fazer sentir o que eu senti, ou pelo menos um pedaço. É... Um pedaço já seria o suficiente pra te fazer chorar. Por que não chora por mim? Já chorou por mim alguma vez? Às vezes me pergunto... Mas duvido que tenha chorado. Você nunca chora! Nem em filme, nem com nada. Só quando me disse que me amava. E agora? Faço o que com isso? Você me disse que me amava numa tarde pentelha de uma terça-feira tediosa e acho que eu nunca mais saí daquela terça-feira. Queria outras terças-feiras assim... Pra mim seriam todos os dias terça-feira. Porque se todos os dias fossem terça-feira, todos os dias eu ainda teria você e todos os dias eu escutaria você dizendo “eu te amo”, “eu te amo”, “eu te amo”. Pobre mim. Eu te amo.


*esse texto não reflete meu estado emocional atual. é apenas mais uma das minhas masturbações mentais...