quinta-feira, dezembro 28, 2006

depois de 2006

Mais um ano vira. E todo mundo naquela espectativa básica de muita paz, amor, dinheiro e saúde. Sempre esses quatro elementos. E mais uma vez as energias são renovadas dando-nos força para seguir em frente. Alguns seguem em frente em seus caminhos já formados e decididos, enquanto outros, como eu, procuram seu caminho em busca duma vida estável e mais completa.
O que eu espero desse ano eu ainda não decidi. Talvez eu não espere nada e simplesmente BUSQUE tudo. Esperar dói um pouco. E nem sempre é bom. Porque quem espera nem sempre alcança. E em 2006 a coisa que mais fiz foi esperar. Esperei pelo emprego certo, pela pessoa certa, pelo momento certo, por um "eu" menos neurótico enquanto corri atrás de muito pouco, e a única grande realização que fiz foi acabar vindo parar em Floripa.
Espera!
Estou sendo um pouco injusto. Teve também o "Esse Momento", do qual me orgulho muito, e ainda o "Lá Fora", meus filmes mais lindos até hoje. Não posso dizer que não corri atrás, porque, por Alah, o que eu corri atrás pra realizar essas duas obras num tá escrito, viu?
Enfim, estou pronto pra mais um ano, mais coisas por vir e muito mais a fazer, afinal quando vim pra cá zerei a minha vida. Tá na hora de começar a andar alguns quilômetros. E vambora!

terça-feira, dezembro 19, 2006

definições

Esses dias, num momento "Retrospectiva 2006", reavaliando tudo pelo que passei, estava meio que me lamentando pelo ano que acaba, pensando em tudo o que aconteceu e o que eu quis que acontecesse e cheguei a conclusão de que, no final, apesar das lamentações, foi um bom ano. Não foi como eu esperava que fosse, mas também, se fosse assim a vida seria muito sem graça. Já pensou? Ser tudo como você quer que seja? No final faz bem esses momentos inesperados e as surpresas pelo caminho.
Mas acho que fui fraco. E burro. Deixei meu ano ser definido inteiramente pelo término de meu namoro e por um sentimento muito besta de vazio que tomou conta de mim. Tentei me envolver com pessoas erradas - as vezes a pessoa estava certa, mas o momento não bateu muito bem -- e tentei ser o que eu não era. Realizei, sim, muita coisa que me tinha vontade de fazer e descobri um eu muito divertido, desses que consegue, por exemplo, acompanhar uma tarde com a Peggy. Descobri os efeitos esquisitos que a bebida faz com a gente (sempre com classe, claro - a não ser pela prática de yoga no meio da Drinkeria certa vez) e como é interessante como eu fico quando bebo uma Tequila Sunrise ou uma Pink Margarita.
Também descobri meus limites: físico, mental e emocional. Descobri que eu consigo me superar também. Realizei o sonho de subir numa prancha e surfar, trabalhei com cinema ganhando para isso, trabalhei com cinema sem ganhar mas com gente que vale muito mais que qualquer dinheiro. Peneirei minha vida, deixando apenas amigos que realmente são amigos. Perdi a paciência com coisas que não devia e deixei que essas coisas tomassem conta de mim por uns momentos.
Fui fraco, sim, quando, por vezes, fingi não sentir o que sentia para proteger. Mas nunca deixei de ser o que sou. Nunca fingi ser quem não sou. Acho que isso conta pontos pra mim. A gente não pode se perder, não importa o que aconteça. Me anulei por um momento, elevando os outros, fazendo as coisas pelos outros e não por mim -- daí o fato de estar feliz com a mudança para Floripa: vim para arriscar, tentar uma vida nova e, acredito, fugir.
Um novo ano chega. Dessa vez, quando estiver pra virar, não vou dizer "Esse é o meu ano!", ou muito menos planejar ser feliz. Porque essas coisas a gente não planeja. Essas coisas a gente FAZ acontecer. Não precisa ser o "meu ano" pra eu conseguir ser feliz e estar completo. Pode, sim, estar completo e pra isso eu já descobri o caminho: eu mesmo. Depois de meses lidando com sentimentos loucos, que iam desde um amor profundo a total indiferença (ainda que fingida, sem que eu mesmo soubesse), eu estou bem comigo mesmo.
É esquisito falar esse tipo de coisa. Novamente, acho que esse post não tem pé nem cabeça --- pros outros.

domingo, dezembro 17, 2006

comer pelas bordas

Pensa o seguinte:
Você tem um sonho. É a coisa que você mais quer na sua vida. Sua profissão, por exemplo. Ela está disponível em algum lugar, mas não é tão fácil de chegar até ela. Mas você tem de sobreviver. Então, o que você faz? Procura uma segunda coisa na qual você é realmente bom. Só que não é isso que você quer pra sua vida. Não mesmo! Ainda mais depois de você ter experimentado disso várias vezes e quando deu por si, no meio do processo, você quase caiu fora. Mas aí você muda de cidade, e continua querendo aquele sonho, e ele está até perto de você, mas você tem ainda que sobreviver. Dessa vez não é bem sobreviver por sobreviver, mas sim para te privar da loucura, afinal todo mundo enlouquece depois de um tempo de ócio. E a saída que você acha é exatamente aquela segunda coisa na qual você é realmente bom, que todo mundo te disse isso. O que você faz? Você pega a coisa na qual você é realmente bom mas não quer pro resto da sua vida, ganhando bem pra cacete e se comprometendo a ponto de talvez isso prejudicar, em certo ponto, o seu sonho primeiro, ou deixa isso e lado e vai atrás MESMO desse sonho? Come pelas bordas ou vai direto ao ponto?
That's a thinker.

valor de X

Às vezes eu fico pensando: eu odeio ser normal. Me incomoda o sentimento de ser "mais um", de não fazer a diferença, de não ter nada pelo qual seja lembrado. Então logo penso nesses meus amigos que fazem de tudo, e o tudo que fazem (seja muito ou pouco) sempre dá certo, sempre tem destaque. Inveja? Acho que sim, um pouco. "Inveja verde", eu diria, mas ainda assim inveja.
Desde que eu me entendo por gente eu quis ser um número. Quis ser alguém por quem as pessoas passassem sem notar. A verdade é que cresci numa cidade minúscula onde qualquer passo meu era como que vigiado pelos olhos alheios e minhas palavras captadas pelos ouvidos em paredes e em todos os lugares. Sempre tive muita cautela com o que eu fazia para tentar não chamar a atenção desse povo sem vida. E sempre, não importa aonde fosse, me sentia sufocado, encubado, encarcerado e vivia com o sonho de fugir para uma cidade grande onde eu deixasse de ser rotulado como filho de "não sei quem" ou o que tem "sei lá quê" e ser apenas um número - meu CPF talvez, ou o número do meu cartão de crédito - e poder andar pela rua sem ser reconhecido, sem que me dessem a menor bola, poder ser eu, sem julgamento. Esse era meu sonho e foi o que consegui.
Com a faculdade eu consegui também a dádiva do anonimato, mas esqueceram de me avisar que conquistando o anonimato vinha um extra no pacote: o preço que se paga para ser um número é cair no esquecimento. As pessoas esquecem de números. E hoje é assim que eu me sinto, as vezes: como um número esquecido ou um número do qual alguém apagou um dígito e modificou o seu sentido --- por exemplo, se você apaga o zero de 1000, vc apaga a identidade dele de mil, e o mil passa a ser o cem. Qual o sentido do mil sem seu terceiro zero? E eu me sinto assim: um cem sem o terceiro zero - sem sentido. Falta algo. E tenho medo que das coisas que eu fiz nenhuma seja lembrada. Bom, talvez no qdia que eu morrer, aí sim serei lembrado, não como um CPF, mas como o fator X -- aquele número que está ali na equação, faz a diferença, mas que só significa alguma coisa se tiver alguém disposto a encontrar o seu valor.
Será que eu ficarei gravado na História ou apenas na história daqueles que me cercam? Se Clark Kent sonhava em ser normal, trocava de vida com ele sem hesitar para poder fazer essa diferença. Mas ainda há uma chance. E não preciso ser super pra isso. Basta pensar que uma hora alguém vai me resolver e descobrir o meu valor.



*este post não reflete o meu estado de espírito no momento. de vez em quando, talvez...