quarta-feira, fevereiro 21, 2007

mais fácil com átomos mesmo...

A propaganda começava assim:
"Sou negro. Quando nasci era negro. Quando cresci continuei negro. Quando sinto frio, sou negro. Quando me queimo ao sol, sou negro. Quando sinto medo, sou negro. Quando fico doente, sou negro. Quando morro, sou negro.
Você é branco. Quando nasceu, era rosa. Quando crescei, virou branco. Quando sente frio, é azul. Quando se queima a sol, é vermelho. Quando sente medo, é amarelo. Quando fica doente, é verde. Quando morre, é cinza.
E você tem coragem de dizer que eu sou uma pessoa de cor?".

Hoje resolvi escrever um pouco acerca de preconceito. Não sei se vou saber desenvolver esse tema já tão tratado, mas fiquei inspirado em tentar -- a propaganda realmente chegou até mim de uma forma inesperada. Fiquei horas pensando e aí fiquei com vontade de compartilhar minhas idéias.

Albert Einstein uma vez disse "É mais fácil romper um átomo do que quebrar um preconceito". Sabe que eu concordo com o velhinho do cabelo estranho com a língua de fora? Sim, eu acho que hoje as coisas andam muito mais fáceis para todo mundo num sentido geral. Acredito que as pessoas estejam mais abertas, mais "conformadas" com as diferenças e, assim, também menos aversas. Só que eu acho que esse nem é o pior tipo de preconceito. Acho que o pior preconceito é aquele que vem de dentro de nós mesmos. De nada adianta fazermos campanhas para direitos iguais para os gays, lutas contra racismo, e luta contra isso e aquilo quando a nossa sociedade traz implicíta nela os preconceitos dela própria. Os próprios grupos tem preconceito dentro de si, em minha visão.

Comecemos pelos gays, por exemplo. A gaylera quer porque quer lutar por direitos iguais, tratamento não-diferenciado perante a sociedade, que não lhes virem a cara e os tratem com respeito... um desejo nobre, eu diria. Mas aí começam com paradas gays, onde se perde completamente o sentido de tudo isso. Se você está procurando igualdade, pra que fazer um auê pra mostrar que é diferente? Fora que aí, nesses "eventos", se reforçam ainda mais os esteriótipos já tão reforçados pelos olhos alheios. Sim, pois as paradas não têm mais o aspecto de mudar e, sim, tornaram-se uma desculpa esfarrapada para uma farra em público, onde a pegação e o sexo ficam ainda mais banalizados e exposto, criando uma imagem bem distorcida do que nós realmente somos (se bem que, me pergunto, talvez seja essa mesma a realidade da maioria).
Aí entra agora uma outra coisa... O preconceito do gay para com o gay. Não, não me refiro ao preconceito contra o gay magrinho, o gay gordinho, o gay soro-positovo, o gay negro, o gay pobre, o travesti, ou qualquer outro tipo, mas sim o complexo de inferioridade que o gay põe sobre si mesmo. Para exemplificar, tomemos como exemplo o gay assumido e vencedor do Big Brother Brasil 2005, Jean Willis. Acho simplesmente RiDICULO o modo como esse cara encara a vida. Ele simplesmente se fez vencedor do Big Brother fazendo a coisa típica de quem tem preconceito de si mesmo; se vitimizando... "Ai, porque o gay é pobrezinho... Aí, porque os homens da casa votaram em mim porque eu sou gay... Ai, porque a sociedade não entende o gay e por isso somos sempre motivos de chacota". Ai, vai cagar, né? Se ser gay fosse uma coisa TAO horrenda, ninguém era, né? E ele fala como se fossemos todos do mesmo barco, como se todos fossemos xingados e apedrejados na rua. Poxa... E o pior é que eu já vi isso pessoalmente, com gente que eu conheço... Gente que se vitimiza, tentando culpar tudo que dá errado na vida porque é gay.
Mas isso nao acontece só no mundo gay não. Isso se dá em todos os aspectos... Negros tb são assim. Me perdoe se você é negro e lê isso, mas é o que eu penso. Não todos, é claro, mas muitos sim. Acho que o racismo ainda existe porque o sentimento de auto-piedade é tão grande que se transmite para um âmbito maior, ficando embutido na sociedade. E aí acontece mais ou menos como o caso da parada gay... São criados grupos e guetos para buscar a igualdade entre negros e brancos, aí vão lá e criam o sistema de cota nas universidades. Quer coisa mais preconceituosa que isso? O sistema de cota nada mais faz do que dizer implicitamente; você é um incapaz, aí assim podemos ajudar vc a ter uma chance. Porque, até onde eu sei, se um cara passa no vestibular é porque ele tirou nota boa, e não porque ele é branco e o papel achou lindo ajudá-lo por meio de mágica. Sabe?! É patético...

Acho que o que quero dizer é que por mais que as coisas hoje estejam muito mais amenas, a gente sempre cria novos preconceitos e aversões em relação a grupos e individuos. É quase impossível que não julguemos os outros por suas diferenças, embora tenhamos noção de que isso não é legal e condenemos atitudes dessa forma. Por isso concordo com Einstein... Não acho que o mundo esteja pronto pra se abrir desse jeito. È muito mais fácil viver com o preconceito, achando o que quer, do que ir atrás de mudar. É, é mais fácil com os átomos...

6 comentários:

MaxReinert disse...

well... well... well...

... realmente um tema polêmico e difícil!

Se por um lado a sociedade nos impõe uma certa distância e nos aceita mais por questão de mercado do que por real tolerância (?)... por outro lado é realmente necessário pensar de que maneira agimos para sermos tratados como diferentes!

O negro com dinheiro, o gay com dinheiro é tolerado, aceito e bem vindo... desde que gaste!

Concordo com vc que o discurso de vitimização não ajuda ninguém! Nem a sociedade, nem à nós mesmos... mas, se vc vive numa sociedade que discrimina e reprime certas práticas, ou raças, ou orientações, como fazer para que todos possam chegar ao vestibular com a mesma igualdade de condições?

Hoje em dia, acredito que o preconceito de classe social é o mais forte e causador de várias outras práticas e deturpações!

Unknown disse...

Ah, seus posts são muito compridos, tenho preguiça de lê-los... huahUAHuahUHAuhauh

Só pra dizer que o tal do Robson não é um futuro psicólogo... ele já é um também!

:D

Unknown disse...

Gente, e esse blog que não anda...

coisasqueeuvivendo disse...

oi

Muito bom seu blog, vou vuirar frequentador.
So um pequeno comentario..
As paradas gays tinham como objetivo inicial chamar a atençao da sociedade para a causa e juntando um maior numero possivel de pessoas, dizer que tanta gente assim não pode passar a margem das politicas publicas.
Hoje pouco se diferem de um carnaval fora de época, onde a maioria dos que estao lá vão pela festa ou se escondem o ano todo no armário.

Wagner Marques disse...

Ah, se conseguiu desenvolver o tema...

isso mesmo, cara!!!

eu não acrescentaria nem tiraria uma linha sequer...

perfect!

MaxReinert disse...

...........................e esse blog naum anda mesmo!!!!!!!!!!!

cadê vc!!!!????????????