domingo, fevereiro 18, 2007

reivention tour

Madonna que me perdoe, mas agora é minha vez. Vou roubar o nome da turnê dela e adaptar um pouco à minha nada mole vida...

Agora que as coisas parecem estar entrando nos eixos e parece tudo estar tomando uma forma, ao contrário da massa gelatinosa e informe que era a minha vida até pouco tempo atrás, eu aproveitei para entrar numas de reinvenção. Na verdade, não sei bem se reinvenção seria o termo correto... Talvez uma retomada de mim.

Nas últimas semanas entrei numa viagem interna muito grande. Saca essas viagens que você tem que fazer e começar a se confrontar com todas as coisas suas, com todos os seus aspectos, sejam eles bons ou maus? É dessas. E tenho feito isso direto. Desde que resolvi mudar minha vida e me tornar uma pessoa mais pra cima (porque enjoei de ficar sempre me botando pra baixo de cu de cobra e ficar com aquela história pentelhissima e deprê de auto-piedade--- coitado de mim!), as coisas começaram a mudar de uma forma geral e eu comecei a me deparar com um tipo de pessoa que eu não quero pra mim: a pessoa que eu estava sendo. Não vou nem dizer que era a pessoas que eu estava me tornando porque isso seria só uma desculpa para amenizar a realidade, porque eu estava realmente sendo assim. E é esse tipo de coisa que só um chacoalhão de uns e outros que te fazem abrir os olhos.
Quando eu ouvi, pela primeira vez na minha vida, as seguintes palavras: "você não se importa com as pessoas", nossa, eu fiquei absolutamente puto da cara. Como é que uma pessoa ousa a dizer esse tipo de absurdo pra mim? Eu queria socar o cara e fazê-lo engolir letrinha por letrinha que ele colocou no MSN. Aquilo me incomodou de tal forma que nem dormi eu consegui direito. Estava com raiva, ódio mesmo, até que no dia seguinte, num papo qualquer, ouço outra coisa bem parecida (e quando eu falo "ouço", muda pra "leio" porque é tudo papo de MSN, no começo): "você não faz questão de ser cordial. faz o que quer e é isso". Raiva de novo. Como as pessoas podem me julgar dessa forma? Como acontece toda vez que eu entro em pequenas crises e/ou fico puto, recorri imediatamente ao meu querido melhor amigo perguntando pra ele sobre o fato de eu ser uma má pessoa. Claro, eu estava super feliz porque eu tinha certeza de que o que ele ia me dizer ia me deixar mais feliz... Mas não é que ele me vira e fala "Hm... tem coisas que poderiam ser mudadas". E pra mim foi a gota d'água. Ouvir da pessoa que você mais admira e se apoia esse tipo de coisa, caiu como uma luva... luva de metal na minha cabeça. E foi aí que eu entrei nessa de auto-confrontamento. E, deixando de lado todo tipo de conceito sobre mim mesmo que eu tinha, comecei a perceber que era tudo verdade. Analisando meu comportamento passado, desde que cheguei em Floripa, percebi que era aquilo mesmo: eu estava sendo uma pessoa má (não no sentido literal da palavra), completamente egoísta e egocêntrica e, o que considero pior, fria. Foi o suficiente para eu ficar dois dias imerso em mim e levando bolachadas na cara.

Não sei bem ao certo o tipo de pessoa que eu quero ser, mas sei agora o tipo de pessoa que eu NÃO quero ser, assim como também sei o que eu NÃO quero pra minha vida (ainda que não saiba bem o que eu realmente queira). É bom a gente levar umas porradas dessas. Sei que as feridas que deixei em algumas pessoas não saram com um pedido de desculpas, mas eu tento da mesma forma. Se me machuca saber que tratei alguém de um modo que eu sempre julguei "errado" ou "inconveniente", me machuca ainda mais saber que magoei alguém. E agora corro atrás de reparos pra isso. Por isso estou em reforma; pra tentar me achar. Acho que minha essência permanece. Continuo sendo o mesmo pateta apaixonado, romantico, amigo, tolinho e bobão, mas com umas melhoras aqui e ali. Não, isso não ocorre duma hora pra outra, eu sei, mas acho que o tentar mudar é tão válido quanto a mudança em si. Ruim é se acomodar e deixar como está, quando isso faz mal pra você e pros outros.

Minha vida tá entrando nos trilhos e tomando forma. E eu também.

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