terça-feira, março 25, 2008

por favor, qual o caminho prá felicidade?

Desde que somos pequenos seres com cara de joelho enrugado depois de um dia de piscina, somos induzidos a encontrar/procurar a felicidade. (Não estou culpando os pais ou a família ou a sociedade como um todo. A coisa já está não enraizada culturalmente que já não se tem quem culpar.) Constantemente, como uma espécie de missão, somos levados a uma Santa Cruzada na busca daquela coisa ou aquele momento que paramos, olhamos para o nada e dizemos pura e simplesmente com um sorriso no rosto: estou feliz!
Certa vez um amigo meu perguntou-me se eu era feliz. Acredite ou não, não soube responder. Não me lembro ao certo, mas acho que disse que não. Então ele me indagou: o que é a felicidade pra você? Hm... Boa pergunta. O que é a felicidade para mim? Acho que nunca parei para, de fato, pensar no assunto. Para mim felicidade era felicidade e ponto final.
A pergunta, porém, instâneamente me remeteu a uma cena do filme As Horas (de onde, claro, tirei o título do blog --- aliás, quem leu o livro ou viu o filme já se tocou o porquê de o título ter essas {chaves}), onde a Meryl Streep, deitada na cama com a Claire Danes, começa a descrever o momento em sua vida quando ela achou que fosse o começo da felicidade. Em sua descrição de uma cena aparentemente simples e talvez corriqueira na vida de qualquer pessoa, ela diz pensar que ali talvez fosse apenas o começo, só o começo da felicidade, mas que quando abriu os olhos, tardiamente, percebeu que aquele momento era nada senão a própria felicidade. Ela tinha deixado a felicidade passar por seu nariz achando que fosse apenas o começo, apenas a pontinha.
Me pergunto se todos nós fazemos isso. Será que todos nós deixamos a felicidade passar por nossos narizes, tirando sarro de nossa cara e só percebemos que era a própria depois que o momento passou? Será que a felicidade pode ser resumida a um momento ou seria ela um estado de espírito?
Engraçado eu ter acordado com essa pergunta na minha cabeça. Geralmente eu não analiso a felicidade. Não me considero uma pessoa triste, muito pelo contrário. Porém, eu acredito que existam vários tipos de felicidade. Entre elas a felicidade momentânea, que se resume ao teu estado de espírito, e a felicidade geral, que é aquela que você vive. Em inglês, chamamos felicidade também de fortune, que pode ser traduzida de volta ao português como "sorte" ou "fortuna". Acho que foi daí que saíram as minhas definições de felicidade. Por exemplo, me considero uma pessoa feliz - e daí no sentido de "sorte" - quando vejo as coisas que eu tenho ao meu redor. Essa é a minha felicidade, penso eu. A felicidade de ter uma família extremamente foda, compreensiva, mente aberta e altamente apoiadora em tudo o que eu faço. A felicidade de ter, sempre, a clareza na hora de escolher as minhas amizades e ter ao meu redor apenas pessoas de bem (ou do que eu julgo ser bem) e que me fazem bem. A felicidade de poder ser capaz de fazer coisas e me superar a cada dia, me levando a ter uma coisa que muita gente não tem: auto-admiração -- se é que isso existe...
Muita gente liga a felicidade ao fato de ter uma coisa na vida. Tem gente que pensa que felicidade é ter uma casa, um carro, um cachorro. Mas acho que o mais frequente é aquele tipo que acha que felicidade é estar ao lado de alguém que ame (e não digo no sentido de amizade, mas no sentido de namoro, casamento, ou qualquer coisa desse estilo). Esse pra mim é outro tipo de felicidade e talvez o tipo mais perigoso. É uma felicidade tão dependente. Uma felicidade tão fraca, penso eu. Ok, ok, você pode me dizer que ama de paixão alguém loucamente e que encontrou nesse alguém o sentido da sua vida. E é aí que mora o perigo, consegue entender?
Se sua felicidade depende do fato de existir uma outra pessoa, engana-se você que é feliz. Você está contente, alegre por ter alguém ao seu lado, mas felicidade vai muito além disso. Acho que não podemos depositar todas as nossas expectativas de felicidade sobre uma única pessoa ou uma única coisa e encarar a felicidade como um conjunto de fatores. Erramos nesse ponto, saca? Devíamos era mesmo depositar a nossa felicidade em nós mesmos e ver que, no final, quem vai estar com a gente ali é aquele mesmo cara que nos olha no espelho toda manhã, com remela e cara de bosta e nos segue para todos os cantos durante o dia inteiro.
Sim, acho que todos merecem e devem ter um parceiro com quem possa dividir momentos, dividir carinho, dividir, por que não, a própria felicidade. Não se pode, porém, personificar a felicidade. Senão, tua felicidade é uma felicidade móvel, e isso eu nunca vi. Uma felicidade que pode pegar um carro e te deixar, não é tão feliz assim, não é verdade?
Na verdade, eu meio que sinto pena daqueles que dependem dos outros. Tenho de vez em quando até um sentimento chato de auto-piedade, porque eu mesmo me pego em momentos assim às vezes, pensando que talvez pudesse haver alguém aqui do meu lado para me deixar mais "feliz". Mas, hei, são só momentos. Porque de pouco em pouco eu estou descobrindo que não é aquele ou esse, nem Beltrano, nem Sicrano que vai me fazer feliz, eu é quem vou, sabe?
E se você sair na rua e perguntar "onde fica a felicidade?", muita gente vai apontar direções, dizer fórmulas, inventar teorias e até dar receitas. Pode pegar tudo isso e jogar fora. A felicidade não tem lugar. A felicidade não tem endereço, não tem casa, nem número de celular. Porque ela simplesmente é. A felicidade tem nome: o teu.

segunda-feira, março 24, 2008

quando morre um amor?

No último feriado, num desses momentos de tédio em que a gente fica deitado na cama olhando pro nada, me fazia essa exata pergunta. Aliás, a pergunta que teve como estopim um vídeo que vi no Youtube. Nesse vídeo, Chris Crocker (um insano e adrógeno fã da Britney Spears, que ficou famosíssimo por seu videopost apaixonadíssimo onde chorava copiosamente pelo fato das pessoas estarem tirando sarro do bizarro estado atual da "cantora" pop - link) comentava em seu quarto sobre o seu primeiro amor. Num vídeo simples e sem grandes pretensões, falava com tanto carinho sobre aquele que um dia tinha sido o primeiro a fazê-lo dizer as tão fortes três palavras (eu te amo). Eu, que sempre fui contra as opiniões de Crocker, me surpreendi com as palavras doces proferidas pelo rapaz. Senti-me tocado, principalmente, pela parte em que, com um olhar doce para a câmera, ele diz o nome do tal primeiro amor e termina com um "Eu te amo... e sempre vou te amar".

Foi aí que comecei a pensar na pergunta que intitula o meu post de hoje. Quando morre um amor? Ou quando deixamos de amar alguém? Será que é possível você sentir fisicamente o fim de um amor?

Fiquei preso a esse tema por um bom tempo. Achei um tanto profundo e sério. E pensando nos meus amores antigos, cheguei à seguinte conclusão: um amor nunca morre, nunca acaba. Acho que o amor muda de cor, como diria a Ana Carolina. Talvez o amor até mude de forma, mas acabar não acaba. Mesmo que você não suporte mais olhar para a pessoa e sinta nojo dela, não adianta, o amor ainda está ali. Penso hoje em um ex que, durante quatro meses, me traiu por volta de quinze vezes (claro que na época eu não sabia, né?) e, por pior que isso tenha me feito, por mais que ele tenha me ferido, etc, certamente existe aqui ainda um pouco daquilo que me fez apaixonar e dizer "eu te amo". Assim como o Gui, de Porto Alegre. Aqui dentro ainda tem o amor que sentia. Nem que um vestígio. Amor também existe pelo Carlos, e talvez o amor que mais me pareça presente ainda. Esses amores existem embora os relacionamentos, esses sim, terem acabado. O amor pelo Gui ou pelo Carlos hoje mudou de cor, mudou de forma, mudou de nome. Chamam-se saudade, têm gosto de saudade e cheiro de vontade. Não morreram. Nem pelo Richard morreu. Por ele chama-se carinho, por exemplo.

Quando morre um amor? Nunca. Acho que o amor nunca morre. O que morre, o que acaba são os relacionamentos, os laços, a convivência e até mesmo o interesse. Mas o amor perdura. E como perdura. E graças a Deus perdura. Se não perdurassem, garanto, hoje eu não seria eu e sim uma pedrinha de gelo que ainda pode se chamar de pessoa.

quinta-feira, março 20, 2008

this innocence is brilliant...

Ontem, em minha sessão de terapia, estava questionando o fato de onde e quando eu tinha deixado a minha "inocência" (vou usar esse termo por falta de um outro melhor no momento) dar vazão e lugar a uma espécie de "frieza" - uma frieza paradoxal, eu diria; ao mesmo tempo em que não me deixo envolver, eu quero me envolver - seria quase como existisse uma travinha na minha cabeça que não me deixasse gostar mais do que eu já gosto das pessoas, nem chegando a ser um quase-amor. É estranho, ainda mais vindo de alguém que já amou intensamente. Deixo-me, no entanto, envolver e apaixonar pelas idéias das pessoas. Não, não idéias que elas pensam, e sim as idéias que eu crio em relação às pessoas. Louco isso, não? Acho que por isso estou na terapia... (risos)

Existe uma cantora Alaskense (ou Alaskiana?) chamada Jewel com a qual eu sempre me identifiquei desde a primeira vez que ouvi sua música "You were meant for me" lá em 1997 ou 1998. Desde então venho acompanhando seu trabalho e a cada álbum tem sempre uma música que parece falar de mim. Em seu último álbum intitulado
Goodbye Alice in Wonderland (Adeus Alice no País das Maravilhas) existe uma música de mesmo nome que fala mais ou menos sobre esse meu sentimento de frieza/solitude (existe isso? ou é termo meu)/vazio. No caso de Jewel, ela escreve sobre as prentensas maravilhas de uma vida de estrelato que ela tentou em Hollywood como "cantora pop" (grande erro de sua vida, visto que o folk tá impregnado em cada nota dela). No meu caso, a música se encaixa por falar de sonhos desfeitos e dessa vontade de amar e não conseguir. Hm... Deu pra entender essa minha colocação?

Enfim, este é o clipe da música a que me refiro:



Deu pra entender?
Abaixo segue a tradução da letra (lembrando que sempre que eu "traduzo" uma coisa em inglês eu coloco interpretação junto a tradução e não apenas uma coisa ipsis leteris ao pé da letra)

"Adeus Alice no País das Maravilhas"

São quatro da tarde
estou num vôo saindo de L.A.
Tentando entender minha vida,
minha juventude esparramada pela estrada

Quartos de hotel e faróis
Ganhei dinheiro com a música
O violão ao meu lado
E desejando desesperadamente me encaixar

A fama é cheia de filhos mimados
E nos enche de fantasias
Acho que é por isso que estou partindo
Eu anseio por realidade

Então adeus Alice no País das Maravilhas
Adeus estrada de tijolos amarelos
Sonhar é diferente de fingir
Eu não encontrei o paraíso
Era só o reflexo da minha mente solitária querendo
o que está faltando na minha vida

Fico com vergonha de ver que o resto é tudo clichê rock'n'roll
Cheguei no fundo do poço, quando alcancei o topo
Mas eu nunca percebi que era você que estava partindo meu coração
Achava que você tinha que me amar
Mas não amou

Sim, o coração pode ter alucinaçãoes
Quando está completamente faminto por amor
Pode até tornar monstros em anjos lá do céu

Você moldou meu amor como uma arma
E virou contra mim como uma faca
Quebrou o último fio que segurava meu coração
Você abriu meus olhos

Então adeus Alice no País das Maravilhas
Adeus estrada de tijolos amarelos
Sonhar é diferente de fingir
Não era amor nos seus olhos
Era só o reflexo da minha mente solitária procurando
o que está faltando na minha vida

Crescer não é uma ausência de sonhos
É saber entender a diferença
entre aqueles sonhos que você pode acreditar e aqueles que te vendem

E sonhar é bom porque traz coisas novas à vida
Mas fingir é um fim que imortaliza uma mentira
Esquecer o que você é, se enxergando pelo que te dizem que você é

A verdade é mais estranha que a ficção
E essa é minha chance de acertar as coisas
E a vida é mto melhor
sem todas essas belas mentiras

Então adeus Alice no País das Maravilhas
Pode ficar com sua estrada de tijolos amarelos
Sonhar é diferente de fingir
Isso nos meus olhos não são lágrimas
É só o reflexo da minha mente solitária procurando
o que está faltando na minha vida

quarta-feira, março 19, 2008

notas sobre a situação

o nome original era "notas sobre a solidão", mas ninguém leria sobre isso...

Dizem que a gente se acostuma com a saudade, com a distância.

Dizem que solidão é coisa passageira, que quando a gente menos espera, a vida toma um rumo.
Dizem... E quem diz não sabe o que está falando.

Bem, talvez o problema seja eu que não consiga me desprender de certas coisas. Porque teve um tempo que tudo esteve bom demais, fácil demais, confortável demais. Talvez, no fundo, eu ache muito mais fácil me prender a esse tipo de coisa, porque, sei lá, é muito mais fácil a gente viver o que é bom. O foda é se esquecer que isso já foi e que o agora também pode ser bom. Só que tudo isso não depende do meu vizinho, dos meus amigos ou do meu emprego. Nem da minha mãe, ou do meu dinheiro ou de ganhar na loteria. Depende muito de mim. Ou melhor, eu diria que depende de mim. Porque quem é que vai ficar ali, parado de frente para o mundo, levando as glórias e as pedras por mim? Garanto que as glórias, muita gente se oferece, agora as pedras... Sou eu que tenho que levá-las.
Já divaguei sobre minhas pedras e dessas não quero mais falar.
Pensei quem fazer um breve resumo do meu ano passado -- sim, pois tem um ano e pouco que eu não atualizo esse blog; sequer sei se o lêem ainda. Resumos não me apetecem, não me seduzem. Claro, seria muito mais fácil deixar aqui tudo mais claro para que alguém, perdido aqui na net, encontre essas páginas perdidas e diga "olha, eu sei como é isso" ou "porra, que texto longo", mas não vou fazer assim. Diferente, vou botar apenas algumas coisas sobre as quais certamente escreverei umas poucas linhas... Coisas que encontrei nesse um ano e poucos que se passou. Um pouco de amor, de perda, de ganhos, de conquistas, de sorrisos, de amigos (e desamigos), de contatos e da perda deles. E de solidão.
Não ligue se hoje pareço um tanto "emo" ou deprimido. Não estou (e nem sou). É que é apenas um tópico que me toca, mais que muitos outros. Solidão. Quem não lida com ela, não? Afinal, até mesmo os textos acabam sós. Acabam com um ponto. Um ponto sozinho. Um ponto final.

há um ano

há um ano não posto neste blog.
coisas mudaram. mudaram muito. mas analisando, tô achando que foram só as coisas mesmo. eu mudei pouco. acho que na essência, sou o mesmo perdido esquisito de antes.
agora vou voltar a postar.
idéias vêm a mente...

olá pessoas.