sábado, agosto 28, 2010

umidade avançada

O titulo deste post tem a ver com um trocadilho ridículo que meu pai fez uma vez quando eu tinha dez anos de idade e não sei porque ficou na minha mente. Um'idade avançada = uma idade avançada. Tosco, sei, mas pertinente.

Eu nunca tive grandes problemas com questão da idade. Acho que nunca parei para pensar em como eu vou estar em alguns anos ou se envelhecer é ruim.

Eu nunca pensei até pouco tempo.

Estou prestes a fazer 28 anos - aliás, já é amanhã! - e só agora que eu comecei a me tocar que estou perto dos trinta. Não acho que trinta seja uma idade horrível ou que eu vá parecer o Russo da Xuxa, mas eu comecei a me preocupar com algumas coisas. Principalmente com minha saúde e minha imagem. Porque é agora que as coisas começam a ficar mais difíceis e levemente irreversiveis, não é verdade.

Dizem que a imagem que você tem aos trinta é mais ou menos a imagem que vai definir o resto dos seus anos. Espera aí então porque eu não quero ser um velho barrigudo e feio. Sinceramente, this doesn't work for me...

Eu me olho hoje no espelho e tento aquela autoimagem horrível e não consigo nem ficar olhando muito. Barriga sucks big time! Só que eu hoje não olho pra minha barriga e penso "ah, uma barriga" eu penso "puts, velho, tem gordura no meio das minhas vísceras e isso não é muito bom". E está mais do que na hora de tomar uma atitude. Só que eu sempre digo isso. Eu sempre acho que tá mais do que na hora de tomar uma atitude e nunca tomo. Eu vou pra academia. Beleza. Só que em três meses, do nada, meu trabalho começa a ser tããão mais importante e inadiável do que ir pra academia e eu desanimo. Ai todo o trabalho vai pro lixo.
Eu devo ter começado academia umas sete vezes na vida. A vez que mais fiquei foi quando durei 1 ano e meio diretaço, sem parar. Acredita? Eu tava super bem. Lindinho, braçudinho, mas a porra da pança tava lá. E ela meio que sempre me perseguiu. Eu cheguei a fazer lipo uma vez e essa puta que pariu tava aqui ainda. Não sei, eu devo ser talvez uma aberração genética em que os cromossomos K e os cromossomos G se juntaram e multiplicaram me dando vááários KGs acima do normal.

Badantz... Tzzz!
(som de bateria para piada ruim).


E o pior é que no mundo gay tudo é maior. 30 anos em gay years é tipo ansião. 90kg em gay kilos é tipo obeso mórbido em fase terminal. Eu sou basicamente um bagaço ambulante então, né? Ainda bem que meu namorado é meio banzo e acredito que tenha uns graus de miopia, senão eu tava ferrado.


Enfim, com a idade chegando eu comecei a me preocupar com essas coisas e agora, de fato, acho que tá mais do que na hora de tomar vergonha na cara e fazer alguma coisa, porque ninguém vai lá na academia pra emagrecer pra mim, né não?

Pelo menos o fato de ser "alguém na vida" eu superei. Eu sou alguém. Isso conta um pouco... not in gay terms.

quinta-feira, agosto 26, 2010

"I know the book is tough, but I liked it".

Como eu me divirto escrevendo meu livro! É sério. Um sentimento gostoso de aproximação e de realização toma conta de mim toda vez que eu escrevo uma nova página... digo, a cada parágrafo.
Não sei, parece que meus personagens tomam vida em frente a mim e eu me apaixono cada vez mais por eles. E pior é que eu já os conheço. São nomes e cidades diferentes, mas em essência eles são os mesmos. E eu estou me acostumando a escrever em terceira pessoa. É lindo! Poder expressar tudo o que está acontecendo, o que todos estão sentindo e até mesmo deixar um pouco do background de cara personagem é tão satisfatório. Eu adoro.

Tô me sentindo um idiotinha, porque eu quero sair do trabalho, correr pra casa, sentar na cama e ficar ali digitando, digitando, digitando.

E sempre cumprindo a minha meta de uma hora por dia. Uma hora é o suficiente. Me deixa animado sem me tirar ou sem me dar sono.

Amo meu processo criativo. E hoje além do livro tem o roteiro do its Séries pra escrever. Eu deveria mesmo ser escritor.

segunda-feira, agosto 23, 2010

livros pra quem lê

"Oi, como vai você?".
Eu comecei a escrever de novo. Fazia mais de um ano que eu não tocava nos meus textos. E não estou falando dos textos do meu blog, que parecem também ter reavivado, mas do meu livro mesmo.

Que livro Phil?
Vou explicar.

Em 1999 quando eu era apenas um piá de bosta, comecei a escrever histórias sobre um garoto de 15 anos de idade que se descobria homossexual quando estava na melhor fase de seu namoro com uma menina. Ia rolar a primeira vez deles e tudo mais, quando ele só conseguiu se excitar quando imaginou a situação toda acontecendo com um cara que ele tinha conhecido. Esse foi o começo da série "Bent". No começo ela tinha o nome escrotíssimo de "Sexo, Amor, Confusões e Outros" (S.A.C.O. ¬¬) , que comecei a publicar num site horrível que eu tinha com alguns outros contos meus - contos eróticos envolvendo os membros da boyband Backstreet Boys. Sim, eu era desse tipinho mesmo. Comecei com uma histórinha, depois mais uma, depois outra, quando eu vi, eu estava com mais de 35 mil leitores e mais de 30 contos ou capítulos dessa história muito louca, que envolvia questões como a auto-aceitação, a aceitação dos amigos, dos pais, como se abrir para os outros, o primeiro relacionamento, primera vez, paixão por um cara hétero, entre diversos outros assuntos. A série foi muito divertida de fazer e inclusive me rendeu um relacionamento e várias amizades que mantenho até hoje.

Quando foi 2003 eu dei início a uma outra que seria a Segunda Temporada dessa primeira, agora com meu personagem principal mais velho, na faculdade, vivendo outros problemas e outras situações. Nesse mesmo ano, mudei o nome da história para Bent por conta da música do Matchbox 20, que eu tanto gostava. E pior é que veio a calhar... Além de "torto", Bent significa "gay". Acredita?

Desde 2002 eu tinha o projeto de lançar um livro sobre essa série. Primeiro porque eu acho que é uma temática que tem muito a ver comigo mesmo e que eu vi, quando tinha o site, muita gente se identificava. Acho que as pessoas precisam desse tipo de literatura, até para encontrar um certo conforto. Um conforto que eu não tive quando cresci. Eu me descobri sozinho, devagar, quando me apaixonei por um professor de inglês.

No início eu não aceitava isso. Não aceitava a idéia de estar gostando de um homem. E pra mim faltou esse suporte, de saber que eu não era o único. Eu sofria com aquilo. Por mais que fosse óbvio, era dolorido. Sabe aquele lance de pressão da sociedade? É verdade! Ainda mais que eu cresci numa cidadezinha de merda, com só 18 mil habitantes, onde eu sou praticamente uma celebridade por conta dos negócios de meu pai, onde todo os olhos estão em cada movimento meu. Foi foda!Quando me abri para duas amigas e depois para minha mãe, a coisa começou a ficar levemente mais fácil, até a hora que eu comecei a buscar a minha aceitação nos outros. Aí contava pra todo mundo que eu achava que fosse mais ou menos simpático, sempre fazendo um drama, dizendo que eu tinha um "problema" e que eu precisava que eles me aceitassem. Na verdade, era eu quem precisava disso! E eu nunca tive ninguém pra colocar a mão no meu ombro e dizer: ei, você não é o único, isso é normal e tudo vai se encaixar eventualmente.

Ver que meus textos estavam dando este tipo de apoio a outros jovens como eu, me fez um bem incrível. E é isso que eu quero com meu livro. Quero que a história do meu menino seja um consolo e um apoio para todos esses que estão ali se descobrindo, ou experimentando, vai saber? E é muito gostoso estar fazendo isso de novo depois de muito tempo. Organizar esses contos em forma de livro está sendo um exercício delicioso, lento e prazeroso que eu to tentando. E graças, especialmente, a um amigo meu que pega tanto no meu pé! Mesmo eu tendo planos disso a tanto tempo, o Lucas me enche a paciência e é capaz de eu fazer ainda uma dedicatória pra ela. Por mais pentelho que ele seja, eu sei que o faz pelo valor do que eu escrevi. Porque realmente é uma coisa legal de se ler. Personagens cativantes, histórias interessantes, uma mensagem marcante... Acho que pode ser uma coisa legal. O mais difícil é fugir do que ue já tinha feito, com a trama se passando nos Estados Unidos, com nomes todos americanos. Que que eu posso fazer? Eu era um piá de bosta, não era? Pra mim tudo que vinha de fora era lindo. E acho que fiz a história lá sob a idéia de que lá nos States a aceitação da homossexualidade fosse mais fácil. Nem sei se é, mas eu achava que sim.

Enfim, tem coisa vindo por aí. Não vou fazer promessas, porque eu nunca sou muito bom com elas. Mas tudo bem. Eu vou tentar. E quando sair, eu juro que mostro pra quem quiser ver.

vloggers

Virou mania se tornar um Vlogger.

Hoje qualquer um pega sua webcam, grava qualquer bobagem e lança no Youtube esperando que alguém veja e os ache feliz. Alguns são bem oportunistas mesmo - e iludidos - achando que vão ser "descobertos" por alguém, só porque já aconteceu com uns e outros. Também a fórmula é bem simples: basta você gravar um vídeo falando mal de alguém, colocar um corte a cada uma ou duas palavras que você disser, de vez em quando botar um vídeo em preto e branco de você falando cm você mesmo mas com uma cara ou voz diferente, talvez usando um par de óculos, e pronto. Não precisa nem cozinhar e em cinco minutos - tirando o tempo de uplado e reconhecimento do seu vídeo no Youtube - você é um babaca instantâneo.

Só que todo mundo acha que é só isso e pronto, sucesso garantido. Não é bem assim. As pessoas além de simplesmente sair falando qualquer coisinha, tem que ter alguns pre-requisitos. Ser bonito é uma delas. Ser articulado é outra. E ser carismático é ainda outra maior. Por que você acha que o PC e o Felipe Neto fazem tanto sucesso? São bonitos, são inteligentes e carismáticos. Não importa se você não gosta deles, é só olhar: você vai ver que tem alguma coisa ali que te chama atenção. Pode ser o olho torto do PC, a Lola, ou os palavrões (boring!) do Felipe Neto. Tem alguma coisa que chama atenção. E essa alguma coisa chama-se Carisma.

Portanto, não pense em ser um Novo Vlogger - versão virtual pobre de Novo Rico. A MTV não vai na sua casa pedir pra você gravar um vídeo pra ela e não é porque você tá falando mal do Fiuk que você vai pro VMB. Não. Saiba o que está falando e sobretudo use fontes sólidas, pesquise. Ou pelo menos vai ser bonito e seja carismático pra ser um babaca vloggeiro.

Mas confesso que eu mesmo já pensei em ser um desses babacas. Não porque eu queira ser famoso, vamos combinar. Mas porque é um pouco mais fácil falar essas aleatoriedades todas que eu falo por aqui em voz e não em texto. É mais prático pelo menos. Só que eu acho que eu ia virar uma espécie de PC Siqueira que fala mil coisas quase sem sentido ou conexão. Só não sei se tão "fofo" ou tão divertido. Se bem que eu sei ser um pouco divertido. O problema é lidar com minha imagem.

É, eu tenho certo problema com auto-imagem. Ao mesmo tempo que eu acho que eu sou um cara não-feio, eu não acho que ue seja material para vídeo. O vídeo não gosta de mim. Tanto que quando eu faço claquete para o meu programa its Séries eu fico traumatizado antes mesmo de ver o resultado porque eu sei que vou ver o gordinho feliz ali falando "cena tal, plano tal, take tal". Pra você ter uma idéia da gravidade, eu não consigo, por exemplo, gravar em lugares que tenham espelhos. Eu me sinto um Ogro, na real. Me tira a concentração, eu começo a ficar inquieto, porque ter que ver aquele cara do espelho me olhando não é muito legal. Se não consigo ficar a vontade nem com meu namorado me olhando, imagina com um não-feio esquisitinho de cabeça grande e fazendo as mesmas coisas que eu? Nem comer eu consigo em lugares com espelho. Se bem que não consigo também em lugares que tenham uma TV, mas por motivos diferentes. Comer com TV é muito mais fácil. E isso não tem nada a ver com Vloggers. Ou até tem. Eu não conseguiria ser um porque teria que me editar e isso significa me ver e isso significa mil coisas que só Freud explicaria.

doces...

Doce é foda. Diria até que é um mal. Mas é um mal necessário, tipo Internet, celular e sexo - p.s.: sexo não é um mal.
Tava eu aqui jantando, comendo alguma coisa dessas superdivertidas tipo pão com queijo e requeijão no meu George Formann Grill, e depois um filé de alguma coisa que tava na geladeira, quando eu percebi uma coisa: não tinha doce. E quando não tem doce na geladeira, não tem doce no mundo, parece. Você procura pra cima e pra baixo e é sempre frustrante porque a primeira coisa que você acha é Nescau ou Toddy. Até pensei em colocar uma colher de Toddy na boca, que de fato ajuda, mas deu preguiça. Aí eu vi ali um potinho de Capuccino desses instantâneos. Geralmente Capuccinos matam minha vontade de doce. Bom, mas acho que tem que ser com leite, porque seguir aquela porra de "modo de preparo" que diz que tem que ser com água não funcionou nada. Eu saboreei uma água com gostinho de Capuccino instantâneo bem distante. Até Sucrilhos essa hora ajuda mais.

E eu fico meio pirando, sabe? Porque se torna quase uma necessidade. Nem suco, nem Coca, nem nada ajuda. Tem que ser doce. Eu vi até um pouco de leite condensado, mas leite condensado não é doce... Leite condensado é matéria prima para doce, o que implica em fazer o doce, o que implica em misturar coisas e sujar louça que eu vou ter que limpar, o que implica em... Ah, melhor ficar sem doce.

Aí a minha mãe disse "ainda tem bombom do meu aniversário". Sério, minha mãe é ninja. Ela tinha bombom de 20 dias atrás guardado no quarto dela. Eu ganhei 4 Kit Kats do meu irmão e comi tudo no mesmo dia... Tenho inveja de quem consegue.
Enfim, comi o tal do bombom. Não fez nem fum, nem fá. E aí? O que eu faço? Fico aqui salivando, porque no fundo no fundo, por mais que eu queira doce agora, eu meio que não posso porque isso me qualifica como um gordo. E gordos não tem direito de comer mais doces.
Doce é foda.

adolescências...

O legal de se trabalhar com e para adolescentes é que você sempre tem surpresas. Por mais que eles sejam inacreditavelemente iguais, ainda assim conseguem surpreender.

Adolescentes podem ser muito divertidos. E eu gosto porque me vejo muito neles. É tudo sempre muito rápido, muito mutável, muito inconstante, muito apaixonado em todos os sentidos e isso é que é muito legal. Porque aí você chama a pessoa para fazer o seu programa e ela se apaixona por aquilo e logo se torna a vida dela e ela só pensa naquilo e não quer fazer outra coisa e quer se enturmar e tirar fotos e ser popular e ler roteiro e criar e ... Eles não param!

Desde que comecei a dirigir o its Séries passei a andar muito com os adolescentes, mesmo porque pra mim funciona como laboratório na hora de escrever roteiros na busca de um realismo maior. E andar com eles significa pegar um pouco de suas adolescências. Lembro-me de alguns episódios em que tive que me policiar porque eu tinha regredido emocionalmente. Verdade! Eu estava, por exemplo, me "apaixonando" simplesmente pela idéia de uma pessoa. E não que fosse paixão de fato, mas dava todos aqueles sentimentos esquisitos de frio na barriga, ansiedade, mão suando e ficar escrevendo musiquinhas chubirubs sobre a pessoa e tudo mais... Medo!? E comecei até a me comportar um pouco adolescente, com aqueles sonhos intensos e incríveis e muita angústia. Sim, eu estava angustiado de simplesmente viver o que vivo hoje, na busca incansável por mudanças. Sério. E isso assusta. Mas é fascinante. É fascinante porque hoje eu entendo muito os adolescentes e quando eu escrevo me sinto ali, em cada personagem e tento passar essas emoções todas nas falas e situações. Claro que os atores são fundamentais e, aliás, sem eles eu não viveria metade disso e não saberia nada desse mundo, ficando pra trás na minha adolescência que, acredite, foi muito diferente.

Uma coisa que me deixa bobo com os jovens de hoje é como a Internet não é mais um acessório para eles, mas sim uma extensão de suas vidas. Eles, de fato, vivem o Orkut, o Facebook, o Twitter. Não são coisas externas que fazem parte de suas vidas, eles são suas vidas. Estar ali atualizando fatos e fotos, não é divertido, é necessário. E aí eles buscam, dessa forma, se expor cada vez mais, porque eles acreditam que é a imagem deles seu maior atributo. Sim, vivendo de Internet eles acabam vivendo num mundo extremamente imagético onde o bonito é o que se destaca, e o que se destaca vence no final. Não porque exista uma guerra, mas porque eles criam essa miniguerra particular sozinhos! E lutam contra si mesmos. E aí fica aquela coisa superficial e quase sem limites, chegando no ponto dessas menininhas sem cabeça ficarem mostrando os peitos na Twitcam a troco de visualizações.

Não vou culpar todos os adolescentes ou colocá-los no mesmo saco. Mesmo porque os meus, por exemplo, não são assim. Tive sorte de até hoje ter sempre gente pé no chão, cabeça feita, no meu elenco. Nem sempre, mas quase sempre. Tivemos um ou outro caso de desmiolamento, mas já foi sanado.

Hoje se eu não estivesse no its, acho que estaria ainda trabalhando com esse público. Porque eles me fazem bem, apesar dessas loucuras todas. Eles deixam vivo em mim o espírito que eu mais gosto, o meu lado infantilzão, brincalhão e divertido. Se eu fosse levar a sério cada coisinha da minha vida, eu acho que já teria enfartado. Aí busco força neles e nesse lado. O lado que me faz cantar no carro imaginando que estou cantando pra um público, que me faz continuar sonhando bobagens e escrevendo músicas e me divertindo com gente dez anos mais nova que eu... Enfim, essas adolescências saudáveis que fazem da gente feliz. Só espero não ficar mostrando o pinto na webcam... pelo menos não por Twitter.

velhos vícios

É bastante gostoso reavivar velhos vícios. O vício do videogame, da série, de filmes, de ler e escrever. Tudo isso passa a ter muito mais sentido quando você tem companhia. Claro que eu valorizo meus momentos sozinhos e, de vez em quando, eu ainda sento ali na sala sozinho para ver alguma dessas séries que eu já estou super atrasado e preciso me atualizar, ou ainda para jogar uma partida de algum jogo do Wii que eu não consegui ainda zerar. Mas o fato de nos finais de semana você ter companhia pra isso é muito legal. Sim, a gente pode até ser considerado um casal chato para os outros, mas entre nós nos divertimos muito.

Aliás, ontem mesmo eu estava falando sobre isso, quando o levei até sua casa - que é longe pra caralho - depois de termos visto uma peça/show de uma das minhas atrizes. Falávamos sobre o quanto a gente se diverte com bobagem. Pode ser só um joguinho ou mais um episódio de United States of Tara ou Fringe, mas pra gente tá de bom tamanho. Pra que mais? Porque a gente é palhaço, é parceiro e acima de tudo amigos - o mais estranho é que eu tinha medo de que virassemos amigos; coitado dele na Argentina. Eu pirei. Sim, num determinado momento eu pensei que estávamos "bem demais" para sermos namorados. Namorados nunca estão bem demais... Ou pelo menos nunca estavam na mente daquele "eu" acostumado com as coisas do passado. Somos namorados e amigos, sim, por que não? E namorados/amigos/parceiros de tudo e viciados em coisinhas.

De vez em quando a gente fica até quietinho, mas vale tudo. E os vícios voltam. E sabe qual a melhor parte dos vícios - voltando agora ao assunto principal deste post, que de repente se torno uma declaração de amor (?) - é redescobrir os prazeres das séries. Cara, seriado é bom demais! E tem cada um tão fantástico.

Ontem assistimos Modern Family e posso dizer que hoje é o tipo de humor que eu mais gosto. Adoro essa coisa cínica, dissimulada. E os personagens são deliciosamente assim. Adoro cada um deles, só de ver 4 episódios. Personagens cativantes, fora do comum, mas ao mesmo tempo desses que você olha e reconhece um pouco de si ou de um amigo ou de sua própria família. Muito divertido. Eu mesmo rio feito um retardado. E eu adoro a construção dos personagens e do roteiro e toda vez que vejo uma série assim, eu fico tão feliz, porque eu tô muito no caminho certo.

Falando em seriado, eu assisti o its do ano passado. Cara, como eu fazia aquilo eu ainda não sei, mas vou dizer que era até que bem realizadinho. Um dos maiores problemas, eu acho, era o roteiro mesmo. Roteiro com temática e liçõezinhas de moral são um saco, hein? Tinha uns diálogos totalmente inverossímeis, com coisas do tipo:
Gustavo - "Eu queria ficar saradão, assim como vocês".
Fabio - "Pra ficar saradão precisa fazer muito exercício. Exercicio e uma boa alimentação".
Minhoca - "É, mas tem que ir com cuidado pra não se estourar. Fazendo tudo com moderação".
Lipe - "Tem também uns suplementos bem legais. E suplemento não é bomba".
Velho! Velho! Velho! Como é que alguém pode aceitar escrever uma coisa dessas? Ok que era a proposta do programa mesmo, com aquelas intervenções de conteúdo e tudo mais, mas como roteiro não funciona, vai! Credo. Ainda bem que eu melhorei! Ainda bem! E estou bem feliz não só por ter melhorado, mas por estar conseguindo de fato criar personagens bastante tridimensionais, com profundidade e sentimentos e emoções cada vez mais reais. E personagens tão cativantes quanto os de Modern Family - tá, forcei a barra agora.

Acho que falei do its porque pode ser trabalho, mas também é meu vício. Eu realmenete gosto de escrever e dirigir essa série e gosto de ver. E é vício porque quando não tem faz falta, sabe? Aliás, to ansiosíssimo pra gravar essa semana.

Xi! Acho que meu post ficou meio sem sentido. Alguém lê isso, anyway? Acho que não. Então eu deixo aqui pra ser tipo um diariozinho pra eu olhar lá na frente e ver o que eu via e fazia e pensava. É um vício que eu tenho.

sábado, agosto 21, 2010

mais uma vez, um ano...

Pela, sei lá, segunda ou terceira vez, já faz um ano que eu não escrevo nada no blog. Não porque eu não tenha o que dizer - eu até tenho - mas acho que porque eu esqueço mesmo que esse negócio existe e só me lembro que bate uma mini-inveja da boa vendo blogs de amigos... Neste outro ano que se passou muita coisa mudou de novo. E eu que achava que minha vida estava monótona. Vieram novos amigos, tive uma mudança significativa em meu trabalho e finalmente uma mudança profunda na minha vida pessoal. Sim, para quem escrevia sobre nunca mais sentir nada e ter entrado numa frieza que não sabia de onde vinha, eu até que estou bem. Hoje eu namoro. É, eu namoro. Depois de quatro anos fechado, permiti que alguém entrasse. Depois de quatro anos, me permiti tentar. E vou dizer... Não é tão fácil quanto a gente pensa não. Mas é tão bom quanto eu lembrava. Ter uma pessoa em quem pensar, a quem se dedicar, com quem dividir momentos é tão bom! E eu achei uma com quem eu posso dividir até os momentos mais monótonos sem ficar me preocupando se ele vai estar entediado. Porque até nisso a gente combina. A gente divide momentos grandes, como uma viagem para o exterior, e até momentos pequenos como ficar em casa vendo um seriado novo ou jogando videogame com amigos. E isso pra mim é um grande passo: abrir a minha vida pessoal totalmente para uma outra pessoa. Sim! Dividir amigos, momentos, diversões, risos. Isso sim é diferente. Isso sim eu sentia falta. E eu juro que agora estou sem medo. Porque ele me deixa assim, mais seguro, mais tranquilo. Se fosse há alguns meses atrás certamente eu já teria arranjado milhões de novas desculpinhas esfarrapadas para evitar sentir, evitar tentar, evitar ser.

E eu fiz isso. Logo no começo, eu fazia isso direto. A Tatu que sabe o quanto. E acho que a Isa também. Acho que toda semana eu tentava achar alguma coisa de errado e elas sempre com as mesmas palavras, mesmo não se conhecendo: "se permita!". E devagarinho fui me permitindo. Doeu, viu? Doeu sim. Porque é muito mais cômodo você ficar fechado, trancado numa conchinha de proteção, se preocupando só com suas manias, suas chatices e a sua companhia, do que botar o coração no mundo e se expor. Porque quando a gente se expoe, vai tudo: o bom e o ruim; e eu tenho uma mania superchata de tentar ser super, de não errar, de não ter defeitos. Virginiano. Tinha que ser virginiano! E até eu chegar a conclusão de que eu erro, eu tenho defeitos, eu não sou super e de ver que ele também tem seus erros, suas manias, seus defeitinhos e não é um super homem, várias minicrises internas, várias batalhas entre razão e emoção, várias minidesculpas esfarrapadas como as de antes passaram pela minha mente psicótica. Demorou. Demorou mas acho que deu certo. Porque eu descobri uma coisa que pode parecer óbvia para os outros, mas certamente eu custei a entender: quem foi que disse que você tem que separar razão de emoção? Quem foi que disse que eu não posso sentir e pensar ao mesmo tempo? Quem foi que disse que eu não posso ser apaixonado pelo meu trabalho, mas comprometido com uma pessoa de carne e osso? O mais engraçado foi ver que todos os meus medos não estavam só em mim. Do lado de lá tinha também. Claro que ele nunca falou. Mas precisava?

Quando você passa quatro anos convivendo com seus próprios medos, angústias e anseios você passa a enxergar as pessoas com um olhar um pouco mais distanciado e começa a notar essas coisas nelas também. E aí você percebe o quanto é ruim se fechar, não se permitir. Porque pode ser uma proteção ótima contra coisas ruins, mas é uma proteção ainda mais forte contra as coisas boas! E ninguém quer se proteger de coisas boas! E, tipo, a gente se dá bem, sabe? Até no silêncio a gente se dá bem. Várias vezes a gente não fala nada, mas não fica aquele silêncio constragedor. Às vezes a gente não fala nada porque só a companhia um do outro basta. Pra que falar? Pra que explicar?

Então hoje eu sinto. Hoje eu me permito. Eu não falo, mesmo porque tem coisas que eu não acho mais que tenham que ser ditas. Até porque eu tava pensando ontem e eu lembrei de uma coisa... Eu acho que eu tenho mania de dizer eu te amo com tempo marcado. E eu disse eu te amo pra ele com o mesmo tempo que eu já disse pra outras pessoas que, hoje, eu sei muito bem que não amava. Mas a pior parte não foi nem ter dito eu te amo, mas ter agido mais ou menos como a Rachel agiu com o Ross - do seriado Friends - quando ela disse a mesma coisa. Eu praticamente ri. Eu ri porque era ridículo. Eu ri porque eu não amava. Eu ri porque eu, uma pessoa que se julga tão racional e experiente, me vi repetindo o mesmo comportamento que já fiz e confundindo um momento de felicidade gostosa com amor. Aquilo não era amor. Aquilo era felicidade, eu acho. Ou alegria. Ou um desses sentimentos tolinhos que nos fazem confundir as coisas. E eu pra confundir coisas é só estalar os dedos - virginiano, hello!

{Haha. Vou rir de mim mesmo. Que foi que eu disse sobre não pensar? Que eu não pensava. E estou eu aqui descrevendo o processo de amar... O que não falam os apaixonados, né?}


Alguns posts abaixo eu falei sobre ser feliz, o que seria a felicidade e quando a gente sabe que/se está/é feliz. Falei sobre felicidade ser um estado de espírito, sobre não saber se uma pessoa é feliz ou está feliz e sobre deixar sua felicidade depender de um outro. Bom, não acho que a minha felicidade dependa de um outro, mas hoje eu tenho a resposta aquela pergunta: Eu sou, sim, uma pessoa feliz. Eu sou feliz porque eu tenho ao meu redor somente pessoas muito especiais, pessoas de boa índole, de caráter e pessoas que conseguem me ver por trás de tudo isso que eu acho que são meus piores defeitos e ainda assim me amar. Seja namorado, seja amigo ou até mesmo colegas de trabalho, eu sei que eu os cativei de uma maneira especial e isso me faz feliz. Me faz feliz saber que eu faço sim diferença para as pessoas. E não é pra qualquer um. Eu faço diferença na vida de pessoas que eu amo também. E quer mais que isso? E as pessoas que pra mim representam coisas ruins, eu simplesmente corto de minha vida. Porque eu não preciso disso. Hoje eu sei que eu não preciso me forçar a ter amizades ou me forçar em me enturmar, porque isso é natural de mim. Eu tenho esse esqueminha aqui dentro que acaba fazendo amizades ótimas em pouco tempo. Mais feliz que isso não dá.

Também já falei sobre fazer uma diferença no mundo. Desculpa, mas eu faço. Eu faço diferença com o jeito que eu sou, com o trabalho que eu realizo. Porque hoje meu seriado - aquele que falei há algum tempo atrás - está muito bem. E saber que tem gente que vê, acompanha e, principalmente, admira aquilo me faz muito bem. Porque eu sei que evolui como profissional. E esse era um dos meus maiores medos: de ser medíocre. Não estou dizendo que não tenho o que melhorar - claro que tenho! - mas acho que isso está acontecendo do jeito que eu sempre quis... Lentamente. Eu não preciso ir ao topo de foguete. Vou de escadinha mesmo porque quando chegar eu vou ter a consciência de todos os degraus pelos que eu precisei passar e passos que eu preciei dar pra chegar até lá.

Mais uma vez passou um ano que eu não escrevo nesse blog. Um ano. E quem diria que as coisas estariam como estão? Né?