segunda-feira, março 24, 2008

quando morre um amor?

No último feriado, num desses momentos de tédio em que a gente fica deitado na cama olhando pro nada, me fazia essa exata pergunta. Aliás, a pergunta que teve como estopim um vídeo que vi no Youtube. Nesse vídeo, Chris Crocker (um insano e adrógeno fã da Britney Spears, que ficou famosíssimo por seu videopost apaixonadíssimo onde chorava copiosamente pelo fato das pessoas estarem tirando sarro do bizarro estado atual da "cantora" pop - link) comentava em seu quarto sobre o seu primeiro amor. Num vídeo simples e sem grandes pretensões, falava com tanto carinho sobre aquele que um dia tinha sido o primeiro a fazê-lo dizer as tão fortes três palavras (eu te amo). Eu, que sempre fui contra as opiniões de Crocker, me surpreendi com as palavras doces proferidas pelo rapaz. Senti-me tocado, principalmente, pela parte em que, com um olhar doce para a câmera, ele diz o nome do tal primeiro amor e termina com um "Eu te amo... e sempre vou te amar".

Foi aí que comecei a pensar na pergunta que intitula o meu post de hoje. Quando morre um amor? Ou quando deixamos de amar alguém? Será que é possível você sentir fisicamente o fim de um amor?

Fiquei preso a esse tema por um bom tempo. Achei um tanto profundo e sério. E pensando nos meus amores antigos, cheguei à seguinte conclusão: um amor nunca morre, nunca acaba. Acho que o amor muda de cor, como diria a Ana Carolina. Talvez o amor até mude de forma, mas acabar não acaba. Mesmo que você não suporte mais olhar para a pessoa e sinta nojo dela, não adianta, o amor ainda está ali. Penso hoje em um ex que, durante quatro meses, me traiu por volta de quinze vezes (claro que na época eu não sabia, né?) e, por pior que isso tenha me feito, por mais que ele tenha me ferido, etc, certamente existe aqui ainda um pouco daquilo que me fez apaixonar e dizer "eu te amo". Assim como o Gui, de Porto Alegre. Aqui dentro ainda tem o amor que sentia. Nem que um vestígio. Amor também existe pelo Carlos, e talvez o amor que mais me pareça presente ainda. Esses amores existem embora os relacionamentos, esses sim, terem acabado. O amor pelo Gui ou pelo Carlos hoje mudou de cor, mudou de forma, mudou de nome. Chamam-se saudade, têm gosto de saudade e cheiro de vontade. Não morreram. Nem pelo Richard morreu. Por ele chama-se carinho, por exemplo.

Quando morre um amor? Nunca. Acho que o amor nunca morre. O que morre, o que acaba são os relacionamentos, os laços, a convivência e até mesmo o interesse. Mas o amor perdura. E como perdura. E graças a Deus perdura. Se não perdurassem, garanto, hoje eu não seria eu e sim uma pedrinha de gelo que ainda pode se chamar de pessoa.

2 comentários:

Evandro Rafael disse...

Lindo o que eu li agora. E não tenho como discordar de tais argumentos.

O Amor não morre. E, na minha humilde opinião, tem uma razão simples... o amor não vem da outra pessoa, o amor sempre esteve em você. Era por uma outra pessoa, mas não era da outra pessoa. A outra pessoa não pôde ter levado embora, pois o amor que você sempre sentiu, pertence só a você. Só você sabe o quanto sentiu, o que sentiu, o quanto se dedicou, ou se você se dedicou o quanto deveria.

E é esse o grande desafio de um relacionamento, tentar demonstrar o SEU sentimento para uma outra pessoa... e tentar captar o que o sentimento, o amor, dela está tentando lhe transmitir... Às vezes é fácil, às vezes ele está escondido, mas se ele um dia existiu, ele nunca morrerá, fica guardado, em um cantinho especial, aquele cantinho que aquece o coração com lembranças da infância, da família, da vida...

Este cantinho que você sempre estará... como um orgulho de ter você como amigo, como amante, como o que quer que seja...

Bj

Anônimo disse...

Ai, Fê!! Nem sei por onde começar...
Adorei o seu texto. Agora lendo suas palavras, mais uma vez constato que essas coisas da vida vão muito mais além do que qualquer mente humana é capaz de assimilar...
Comparto da sua opinião quando dizes que o amor jamais morre, porém penso que sempre tem um que supera todos... talvez esse sim, possa ser chamado de amor. Sem querer desmerecer os outros...
Vou te contar o que me aconteceu. Acho que te disse, há muito tempo atrás, da primeira pessoa que conheci na minha vida e que foi o meu primeiro amor. Eu tinha apenas 14 anos (ainda era um pirralho, convenhamos), mas isso não era nada: tínhamos 20 anos de diferença de idade... Eu matava muita aula por causa disso, e meus pais descobriram minhas faltas, enfim, uma confusão enorme. Fiquei 6 meses preso em casa e perdi o contato com ele já que quando eu decidi e consegui ter espaço pra procurá-lo (quase 1 ano depois) ele já não morava mais no lugar onde a gente se encontrava sempre. Sofri muito com isso, aliás, muitas das minhas composições e músicas que eu ouvia era pensando se algum dia eu conseguiria reencontrá-lo...
Resumindo: Em outubro do ano passado ele acabou me encontrando pelo orkut assim do nada, isso 10 anos depois. E pra ficar mais forte ainda, ele está morando aqui na Europa também. E ele veio em madri me visitar, momento do reencontro foi uma sensação que não consigo explicar. Foi como naquela época que eu tinha 14 anos... Muita coisa mudou (na cabeça dos dois e principalmente em mim, pois eu era uma criança) porém reencontrá-lo me fez sentir criança novamente. Podia estar aqui escrevendo muita coisa, pois daria um livro... Mas quis resumir um pouco. Um dia espero ter a oportunidade de te contar tudo melhor!

Um grande beijo, e olha... Nem preciso dizer o que eu sinto e desejo pra ti, né? Te amo e jamais me esqueço de ti. ;)