quinta-feira, dezembro 28, 2006

depois de 2006

Mais um ano vira. E todo mundo naquela espectativa básica de muita paz, amor, dinheiro e saúde. Sempre esses quatro elementos. E mais uma vez as energias são renovadas dando-nos força para seguir em frente. Alguns seguem em frente em seus caminhos já formados e decididos, enquanto outros, como eu, procuram seu caminho em busca duma vida estável e mais completa.
O que eu espero desse ano eu ainda não decidi. Talvez eu não espere nada e simplesmente BUSQUE tudo. Esperar dói um pouco. E nem sempre é bom. Porque quem espera nem sempre alcança. E em 2006 a coisa que mais fiz foi esperar. Esperei pelo emprego certo, pela pessoa certa, pelo momento certo, por um "eu" menos neurótico enquanto corri atrás de muito pouco, e a única grande realização que fiz foi acabar vindo parar em Floripa.
Espera!
Estou sendo um pouco injusto. Teve também o "Esse Momento", do qual me orgulho muito, e ainda o "Lá Fora", meus filmes mais lindos até hoje. Não posso dizer que não corri atrás, porque, por Alah, o que eu corri atrás pra realizar essas duas obras num tá escrito, viu?
Enfim, estou pronto pra mais um ano, mais coisas por vir e muito mais a fazer, afinal quando vim pra cá zerei a minha vida. Tá na hora de começar a andar alguns quilômetros. E vambora!

terça-feira, dezembro 19, 2006

definições

Esses dias, num momento "Retrospectiva 2006", reavaliando tudo pelo que passei, estava meio que me lamentando pelo ano que acaba, pensando em tudo o que aconteceu e o que eu quis que acontecesse e cheguei a conclusão de que, no final, apesar das lamentações, foi um bom ano. Não foi como eu esperava que fosse, mas também, se fosse assim a vida seria muito sem graça. Já pensou? Ser tudo como você quer que seja? No final faz bem esses momentos inesperados e as surpresas pelo caminho.
Mas acho que fui fraco. E burro. Deixei meu ano ser definido inteiramente pelo término de meu namoro e por um sentimento muito besta de vazio que tomou conta de mim. Tentei me envolver com pessoas erradas - as vezes a pessoa estava certa, mas o momento não bateu muito bem -- e tentei ser o que eu não era. Realizei, sim, muita coisa que me tinha vontade de fazer e descobri um eu muito divertido, desses que consegue, por exemplo, acompanhar uma tarde com a Peggy. Descobri os efeitos esquisitos que a bebida faz com a gente (sempre com classe, claro - a não ser pela prática de yoga no meio da Drinkeria certa vez) e como é interessante como eu fico quando bebo uma Tequila Sunrise ou uma Pink Margarita.
Também descobri meus limites: físico, mental e emocional. Descobri que eu consigo me superar também. Realizei o sonho de subir numa prancha e surfar, trabalhei com cinema ganhando para isso, trabalhei com cinema sem ganhar mas com gente que vale muito mais que qualquer dinheiro. Peneirei minha vida, deixando apenas amigos que realmente são amigos. Perdi a paciência com coisas que não devia e deixei que essas coisas tomassem conta de mim por uns momentos.
Fui fraco, sim, quando, por vezes, fingi não sentir o que sentia para proteger. Mas nunca deixei de ser o que sou. Nunca fingi ser quem não sou. Acho que isso conta pontos pra mim. A gente não pode se perder, não importa o que aconteça. Me anulei por um momento, elevando os outros, fazendo as coisas pelos outros e não por mim -- daí o fato de estar feliz com a mudança para Floripa: vim para arriscar, tentar uma vida nova e, acredito, fugir.
Um novo ano chega. Dessa vez, quando estiver pra virar, não vou dizer "Esse é o meu ano!", ou muito menos planejar ser feliz. Porque essas coisas a gente não planeja. Essas coisas a gente FAZ acontecer. Não precisa ser o "meu ano" pra eu conseguir ser feliz e estar completo. Pode, sim, estar completo e pra isso eu já descobri o caminho: eu mesmo. Depois de meses lidando com sentimentos loucos, que iam desde um amor profundo a total indiferença (ainda que fingida, sem que eu mesmo soubesse), eu estou bem comigo mesmo.
É esquisito falar esse tipo de coisa. Novamente, acho que esse post não tem pé nem cabeça --- pros outros.

domingo, dezembro 17, 2006

comer pelas bordas

Pensa o seguinte:
Você tem um sonho. É a coisa que você mais quer na sua vida. Sua profissão, por exemplo. Ela está disponível em algum lugar, mas não é tão fácil de chegar até ela. Mas você tem de sobreviver. Então, o que você faz? Procura uma segunda coisa na qual você é realmente bom. Só que não é isso que você quer pra sua vida. Não mesmo! Ainda mais depois de você ter experimentado disso várias vezes e quando deu por si, no meio do processo, você quase caiu fora. Mas aí você muda de cidade, e continua querendo aquele sonho, e ele está até perto de você, mas você tem ainda que sobreviver. Dessa vez não é bem sobreviver por sobreviver, mas sim para te privar da loucura, afinal todo mundo enlouquece depois de um tempo de ócio. E a saída que você acha é exatamente aquela segunda coisa na qual você é realmente bom, que todo mundo te disse isso. O que você faz? Você pega a coisa na qual você é realmente bom mas não quer pro resto da sua vida, ganhando bem pra cacete e se comprometendo a ponto de talvez isso prejudicar, em certo ponto, o seu sonho primeiro, ou deixa isso e lado e vai atrás MESMO desse sonho? Come pelas bordas ou vai direto ao ponto?
That's a thinker.

valor de X

Às vezes eu fico pensando: eu odeio ser normal. Me incomoda o sentimento de ser "mais um", de não fazer a diferença, de não ter nada pelo qual seja lembrado. Então logo penso nesses meus amigos que fazem de tudo, e o tudo que fazem (seja muito ou pouco) sempre dá certo, sempre tem destaque. Inveja? Acho que sim, um pouco. "Inveja verde", eu diria, mas ainda assim inveja.
Desde que eu me entendo por gente eu quis ser um número. Quis ser alguém por quem as pessoas passassem sem notar. A verdade é que cresci numa cidade minúscula onde qualquer passo meu era como que vigiado pelos olhos alheios e minhas palavras captadas pelos ouvidos em paredes e em todos os lugares. Sempre tive muita cautela com o que eu fazia para tentar não chamar a atenção desse povo sem vida. E sempre, não importa aonde fosse, me sentia sufocado, encubado, encarcerado e vivia com o sonho de fugir para uma cidade grande onde eu deixasse de ser rotulado como filho de "não sei quem" ou o que tem "sei lá quê" e ser apenas um número - meu CPF talvez, ou o número do meu cartão de crédito - e poder andar pela rua sem ser reconhecido, sem que me dessem a menor bola, poder ser eu, sem julgamento. Esse era meu sonho e foi o que consegui.
Com a faculdade eu consegui também a dádiva do anonimato, mas esqueceram de me avisar que conquistando o anonimato vinha um extra no pacote: o preço que se paga para ser um número é cair no esquecimento. As pessoas esquecem de números. E hoje é assim que eu me sinto, as vezes: como um número esquecido ou um número do qual alguém apagou um dígito e modificou o seu sentido --- por exemplo, se você apaga o zero de 1000, vc apaga a identidade dele de mil, e o mil passa a ser o cem. Qual o sentido do mil sem seu terceiro zero? E eu me sinto assim: um cem sem o terceiro zero - sem sentido. Falta algo. E tenho medo que das coisas que eu fiz nenhuma seja lembrada. Bom, talvez no qdia que eu morrer, aí sim serei lembrado, não como um CPF, mas como o fator X -- aquele número que está ali na equação, faz a diferença, mas que só significa alguma coisa se tiver alguém disposto a encontrar o seu valor.
Será que eu ficarei gravado na História ou apenas na história daqueles que me cercam? Se Clark Kent sonhava em ser normal, trocava de vida com ele sem hesitar para poder fazer essa diferença. Mas ainda há uma chance. E não preciso ser super pra isso. Basta pensar que uma hora alguém vai me resolver e descobrir o meu valor.



*este post não reflete o meu estado de espírito no momento. de vez em quando, talvez...

quarta-feira, novembro 29, 2006

gone

fui
fui sim.
fui para não ficar mais nesse lugar
fui pra não ficar onde eu não tinha mais que estar
onde a missão já foi cumprida
e tudo mais que tinha de ser foi
já foi
e eu fui
agora só quero lembrar que eu já pisei aqui
e só

sexta-feira, setembro 29, 2006

speak out

Sempre fui um cara muito organizado e que tinha tudo planejado, esperando tudo dar muito certo. Sempre fui assim. Fazia meus movimentos perfeitamente anotados e com todos os possíveis erros e suas soluções pensados e decorados para não tomar um passo fora do meu controle. Acho que na verdade eu sempre quis estar no controle. Fiz minhas duas faculdades, me formando nelas com notas muito boas e certa notoriedade perante a professores e colegas de turma, tentando mesmo mostrar que eu sou bom naquilo que faço, naquilo que eu adoro. Sempre muito bem planejado, apesar da mudança para o Rio me cair como uma surpresa, sem planos, endereço ou documento. E foi a mudança que me mudou. Eu deixei as rédeas soltar. Queria experimentar o novo. Queria experimentar o que era aquele gostinho de “deixa a vida me levar”, sabe, que todo mundo sempre fala. E fui deixando. Passinho a passinho, mas fui deixando e fui descobrindo caminhos que talvez, estando eu sobre total controle, não me permitisse tomar. Ser prudente era meu lembro. Lembro até a Thereza dizendo que eu era perfeccionista demais, otimista demais. “Espere sempre o pior das coisas”, dizia ela com o cigarro na boca e a Coca-cola na mão. E eis que, novamente, para minha surpresa vem o acaso. Essas coisas que acontecem sem a gente planejar e cá estou eu... seguindo um caminho que não é o que eu planejei, frustrado como eu não planejei, querendo correr como não planejei. Perdido, como não planejei. Pra onde eu corro? Posso gritar agora?

o que te basta

Quem já não teve vontade de voar, de abrir as asas e passear por aí, num vôo rasante sobre o mar ou lá no alto vendo o Rio, as praias, as pessoas pequenininhas, o tráfego engarrafado do Zuzu Angel ou na Niemeyer às nove da manhã? Ou correr na chuva pelo calçadão de Ipanema, todo molhado, sem pensar em nada, só ir correndo e vivendo? Ou de pular da Rio-Niterói ou do Pão de Açúcar sem se espatifar lá embaixo? Ou de sair rindo daqueles estressados no carro da outra pista quando a sua flui perfeitamente? Quem nunca pensou em encontrar um grande amor e sorrir e rir e beijar e transar e parar e viver... só viver, e ver que aquilo era tudo o que te faltava, e bastava.

umas linhas sobre passado

Você diz que não gosta quando eu falo de você. E eu sei disso. Por que você acha que eu falo? Eu acho que gosto de te irritar. Eu gosto de deixar você nervoso, de te apunhalar de longe e te fazer sentir o que eu senti, ou pelo menos um pedaço. É... Um pedaço já seria o suficiente pra te fazer chorar. Por que não chora por mim? Já chorou por mim alguma vez? Às vezes me pergunto... Mas duvido que tenha chorado. Você nunca chora! Nem em filme, nem com nada. Só quando me disse que me amava. E agora? Faço o que com isso? Você me disse que me amava numa tarde pentelha de uma terça-feira tediosa e acho que eu nunca mais saí daquela terça-feira. Queria outras terças-feiras assim... Pra mim seriam todos os dias terça-feira. Porque se todos os dias fossem terça-feira, todos os dias eu ainda teria você e todos os dias eu escutaria você dizendo “eu te amo”, “eu te amo”, “eu te amo”. Pobre mim. Eu te amo.


*esse texto não reflete meu estado emocional atual. é apenas mais uma das minhas masturbações mentais...

quarta-feira, agosto 30, 2006

inferno astral?

Anos sem atualizar esse blog. Uau. Que vontade eu estava de escrever. Ainda não sei bem sobre o que, mas sei que vou pensar em alguma coisa rapidinho. Talvez devesse falar do meu aniversário, sobre como me sinto aos 24 anos recém-completados (ou seria recém-completos?) e tudo mais... mas seria isso original? Não sei... Acho que vou falar de meu inferno astral. Por que será que comigo o meu inferno astral nunca é na época do meu aniversário e, sim, na época do meu signo complementar (Peixes), ou seja, lá pelo mês de Março e Abril... Sempre me fodo em Março ou Abril... E agora tudo parece estar se encaixando nos eixos direitinho: trabalho, família, amigos, coisas do coração... É verdade que tive uns solavancos no começo do mês, não posso mentir... E é também verdade que estou sobre tratamento de antidepressivos e terapia, mas me sinto bem. Me sinto muito bem por sinal. Talvez não tão feliz por ouvir coisas do tipo "você tem um amigo, um irmão aqui", porque, sabe?, eu tenho um irmão. Aliás, um não, dois! Mas feliz por estar conhecendo uma pessoa legal, por estar bem com todos os meus amigos, por ter terminado a faculdade e já estar trabalhando na área... Ah, eu não to feliz por achar que engordei. Eu acho que engordei. Que saco! Acho que essa eterna neurose é a única que nunca mais vai embora. Ok, eu não tenho feito muita coisa pra não deixar que isso ocorra, mas fico mal, poxa... Não é bom ser/estar gordinho ---- esse "ser-barra-estar gordinho" é mais uma desculpa pra eu não assumir minha massa corpórea... rs...
Já falei que a Lu foi viajar? Acho que não. Ela que tava planejando minha festa. Agora eu num vou ter festa. Vou ter um get together... Como chama "get together" em português? Nunca lembro... Enfim, é hoje.
Bom, vou trabalhar. Cinco criancinhas pulando na minha doce e linda cabeça... Ai ai! Belo modo de começar meu primeiro dia aos 24 anos... Lá vou eu! Mais um ano começa pra mim. E eu só tenho a ganhar. Porque você sabe... 24 é um número de sorte. Porque 2 + 4 é igual a 6 e 6.... eu nao faço idéia do que isso significa!!!!!

quinta-feira, agosto 03, 2006

i don't wanna grow up

crescer dói. porque a gente passa a se preocupar com muita coisa que antes não tinha o menor sentido. pra onde ir sábado a noite, qual a roupa vestir pra parecer mais atraente, quantas calorias comer para manter a silhueta, se devemos ou não ligar para aquela pessoa com quem ficamos ontem e disse "me liga", qual o melhor trabalho, como economizar dinheiro, hora de fazer a barba, hora de falar, hora de calar-se, hora de desligar a internet, terapia, aids, camisinha, contas, celular, contas, internet, amigos novos, pessoas que magoamos, pais desequilibrados, namorados, namoradas, carros, combustível, poluição, arrumar a casa, fazer comida, lembrar de comprar comida, fazer dvds, comprar dvds, baixar filmes, ler e-mails, ser educado, falar de política, falar de sexo, fazer sexo, excessos, faltas e toda uma lista... aaah! crescer dói.

os lugares aonde vamos

chega o final de semana e eu fico assim, meio desesperado com o que fazer. porque eu nunca quero ir nos lugares aonde as pessoas vão, mas ao mesmo tempo quero. tenho curiosidade sobre a casa rosa, o teatro odisséia, descobrir o que tem de tão uau na lapa, etc. mas eu não tenho vontade. quero mas não sai o impulso. e aí eu fico desesperado sobre outras coisas. fico pensando sobre quando e como eu vou me mudar pra barra. se e quando eu vou conseguir um emprego de verdade, na área e que me pague muito bem. quando eu vou começar a escrever o discurso da formatura. quando e se eu vou conseguir fazer jiu jitsu. etc.
falta ação.

quarta-feira, agosto 02, 2006

o rio de janeiro continua sendo...

Hoje mais cedo acabei entrando no blog de um dos meus amigos para dar uma olhada em como estava sua vida e me deparei com um post mais ou menos do tamanho de uma Bíblia que contava a história de uma sexta ou sábado à noite e suas peripécias por Ipanema lidando com amigos bêbados, gringos músicos, técnicas anti-estupro e sorvetes congelados. Aí eu me toquei... Essas pessoas que têm esse tipo de vida são pessoas felizes. Tá certo que é deprimente você voltar pra casa e vomitar ou receber telefonemas de ex's, mas ainda assim são pessoas felizes. Digo isso porque enquanto eles têm pessoas loucas que fazem coisas bizarras na cabeça deles, eu passo o meu tempo tentando me divertir com uma Coca-Cola ou pensando em como seria bom estar com alguém, ao invés de gastar meu tempo com coisas fúteis e amigos legais, tipo a Peggy, Lux e o próprio Vitório, do tal blog que citei. Pelo menos eles me fazem rir e ser feliz por alguns momentos...
Acho que um dos problemas do Rio de Janeiro é que ele te faz sentir solitário. Constatei isso quando li o comment de Peggy no blog do Vitório. Realmente. Acho que estar numa cidade onde o trânsito de pessoas e energias é tão grande tem esse efeito sobre as pessoas. É muito difícil encontrar casais felizes e em relacionamentos duradouros quando se tem uma oferta muito grande pessoas e tipos e gostos e caras. "A putinha do mundo", alguém uma vez definiu o Rio assim... Porque está aberto a todos, a toda hora, basta entrar... e tem que pagar, porque aqui quase tudo tem que pagar. Não estou desmerecendo o Rio, mesmo porque depois de um tempo eu aprendi a gostar de morar aqui, afinal é onde eu moro, se eu não gostar o que mais me sobra, né?
A verdade é que eu acho que precisamos todos de algum apoio. Seja de namorado ou amigo. Porque senão nos perdemos nesse caos esquisito que se torna o dia a dia. E seja com quem for é importante se divertir. Se jogar na Casa Rosa ou na Drinkeria ou na Fosfobox ou na rua, sentado num boteco vendo os amigos enchendo a cara enquanto você toma um refrigerante pra não comprometer o funcionamento do seu antidepressivo. E rir. O importante é rir. Sempre. Por isso que o Ary Toledo tá aí, vivo até hoje... apesar de ser uma piada sem graça.

odeio meus posts sem pé nem cabeça.

domingo, julho 30, 2006

erros empolgados

Quando dizem que aprendemos com os erros, não necessariamente estão dizendo a verdade. Quer dizer, é até verdade, mas quando se tem a cabeça dura a gente insiste em repetí-los. Por impulso, por amor, por medo, por nada. Os repetimos pra ver se aprendemos mesmo. Tem gente até que, depois de uns bons tombos, aprende, segue em frente pra novos erros e novas lições. Mas acho que aqueles que continuam comentendo os mesmos erros é porque ainda não conseguiram enxergar a lição. E embora eu tenha enxergado, não sei porque fui lá e errei de novo. Acho que alguns erros têm de ser cometidos várias vezes. A lição que tiro disso? Que empolgação nem sempre é algo bom. Mas, ok, a gente passa por cima e segue a vida. Vou errar muito ainda. E me empolgar.

os velhos papéis

Crescer tem muitas desvantagens. Você começa a ter que trabalhar, a ter mais responsabilidades, lidar com relacionamentos que começam, com relacionamentos que acabam, com seguro do carro, auto-escola, contas e mais contas, e até decisões que você realmente não queria fazer. Este último é bem o meu caso. Esse final de semana tive que tomar uma decisão difícil pra mim: escolher lados. Por mais simples que possa parecer, quando o assunto é família a coisa não é tão simples aqui. Envolvido numa situação de bastante pressão (pela situação em si, não pelos tais lados), tive que assinar um papel que me bota, de certa forma, contra minha mãe. O fiz pensando num resultado que, até então, me parecia ser o que menos mal causaria a todos. Acho só que não pensei no mal que causaria a mim. Porque não consigo lidar com isso e está me enlouquecendo. Acho injusto um filho ter de escolher entre pai e mãe numa batalha judicial que lhe foi praticamente imposta, e da qual nenhuma saída seria "gostosinha". Porque ninguém quer prejudicar os pais. Muito menos eu! E tudo tem seus dois lados. Não acho que minha mãe esteja errada em sua posição, mas não acho também que meu pai esteja errado em buscar o que busca -- ainda que concorde que ele devesse ter tentando outra forma.
Se eu escolho um dos lados, faço papel de vilão, do cara que quer ferrar o outro lado pelo simples prazer de fazê-lo. Se fico do outro lado, faço papel de mal caráter, por estar compactuando com algo moralmente errado. Seja qual for o papel, o incômodo é grande. Como o que eu sinto agora. Porque eu queria só fazer o papel de filho e ficar na minha. Que merda. É complicado. E eu fico doido. Acho que não devia nem postar isso aqui. Vai atrair fantasmas.

segunda-feira, julho 24, 2006

a peggy

o dia que a conheci eu pensei "essa é doida. tem cara de doida". preconceito... no final eu fui descobrir que ela era doida mesmo. mas é uma doida estranha. porque apesar de sermos completamente diferentes em quase todos os sentidos que se podem imaginar, a gente tem muito em comum. talvez o fato de termos morado na mesma montanha, em tempos diferentes, e sermos donos de um saber inigualável -- ela sabe mais, porque, afinal, ela esteve na montanha mais recentemente, então as informações já tinham sofrido um upgrade -- faz com que sejamos tão amigos. eu amo essa mulher. amo demais. amo a ponto de quase morrer de saudade. porque eu adoro reclamar da vida pra ela, enquanto ela reclama da vida do outro lado e sempre chegamos a soluções maravilhosas para nossos problemas. sim, pois temos problemas. geralmente relacionados ao coração. e a gente sempre encontra soluções doidas. quando encontramos soluções. porque geralmente eu sou otimista demais, e ela fica me dizendo "mr. glass, você precisa parar com isso. espere sempre o pior". mas eu não consigo... até achei que não íamos nos matar morando juntos. ainda bem que o pessimismo dela nos salvou desse desastre. eu não queria morrer com uma garrafa na goela e um gato comendo minha cara... eu amo essa mulher. sim, ela é doida. mas saudável -- apesar do cigarro e da coca excessivos... e queria ter metade da inteligência dela. acho que preciso ler e me tornar um ricardo (nosso amigo viciado em eisenstein... o próximo cineasta fodão).

peggy, amo você. seja você peggy day ou peggy díaz. e venha o homem que vier, tu vai ser sempre minha peggy, viu? saudade... já.

cliques e tiques

(preciso parar com essa mania de nomear meus posts... odeio dar títulos. só por causa disso vou escrever tudo em minúsculas... grrr! sou rebelde!)


ele apareceu ali na janelinha e disse oi pra mim. um oi como desses que ele sempre diz quando acaba entrando na net. sua fotinho mudou. adoro a foto nova. aliás, adoro todas as suas fotos, porque, confesso, ele é lindo. sei lá. lindo de um jeito diferente. acho que é porque eu sempre gostei de meninos largados, tipo o raimundo da drinkeria odiada. aliás, ele me lembra muito o rai. mas é mais bonito, penso.

a gente ficou conversando aquelas coisas triviais de sempre e acabamos entrando em assuntos mais profundos. nunca vi o tempo passar tão rápido. aliás, nem vi o tempo passar... quando dei por mim já era onze da noite e estávamos ali desde as duas e meia da tarde. domingos fazem isso. aí ele disse que quer ficar comigo. só que ele tá lá e eu tô aqui. só que ele disse que vem. será que vem mesmo?

ele guardou meus desenhos. disse que guarda o que acha fofo e meigo. eu passei a tarde tentando desenhá-lo, e só quando desliguei que consegui. não ficou sem por cento, mas dá pro gasto, eu diria. sei lá. ele é meio inatingível. não espero grandes coisas. mesmo porque já tenho uma grande coisa: sua amizade. o que vier depois disso é lucro. se vier...

já estou virando repetitivo. já escrevi sobre isso antes.
preciso ir trabalhar.

coisa estranha

Todo amor já vem usado. Certamente alguém já sentiu aquilo um dia. Então não procuro um amor original. Procuro o bom e velho amor piegas e batido, porque esse é o que faz meu coração acelerar e eu perder o rumo.

domingo, julho 23, 2006

tuuuuu.... tuuuuu... alô? (celular)

Eu sei que eu sempre cobro de você seriedade, sobriedade. Eu sei que sempre cobro de você que tenha mais pé no chão. E eu sei que você me entende e se esforça. Eu sei. E eu sei que é por mim. E é por você também. Porque a gente divide a alma, como você disse. Sei lá... Eu me sinto meio que um paizão, mais que amigo. Como se você fosse responsabilidade minha. É por isso que eu te cobro. Eu te cobro, mas agradeço de ter você. Tá, eu sou um chato e piegas... Foi com você que eu parei de acreditar em anjos, e passei a acreditar em musas, em inspiração. Se te desabrochei, você me fez crescer. Porque foi por você que eu passei dos meus limites. Que expandi. Que cresci. Que brilhei. E acho lindo o modo como eu brilho nos teus olhos. E acho lindo como você diz que me ama. E eu te amo, guria. Além de qualquer julgamento de ações sem consequências, eu te amo. Porque a gente é inconsequente, mas a gente aguenta depois. Eu também não sou perfeito. Acho que é por isso que damos certo. Somos dois erros ambulantes.

os dois

Eles se beijaram e se despediram pela décima vez enquanto as pessoas esperavam impacientes no carro. Se olhavam estranhos, não querendo realmente se separar. Jonas principalmente. Ele não queria ir. Bruno o beijou novamente, segurando o rosto de Jonas. - Por que você vai me ligar?, perguntou.
- Porque eu quero você; disse Jonas.
Eles se separaram e Jonas foi até o carro parando na porta. Olhou para trás. Bruno abriu seus braços e disse "Tchau". Eles se abraçaram novamente. Bruno segurou o rosto de Jonas mais uma vez e disse: - Já sou eu.
Jonas ficou feliz. Ele acreditou. Ainda que soubesse que tudo poderia ser apenas o efeito do álcool. Bruno falou que ia ligar. Ele ligou uma hora depois.

festas que acontecem durante o dia

Gosto muito dessas festas que acontecem na luz do dia. Primeiro que você consegue ver tudo e todos com mais clareza, mais cor, mais vida. Segundo que eu fico mais bonito -- não entendo, mas eu sou muito mais bonito de dia. E o melhor ainda é quando é a céu aberto. Sem cheiro de cigarro, o dia lindo, o céu lindo lá em cima, e quando vai anoitecendo só estrela... O foda é que somos obrigados a nos deparar com umas coisas que ninguém merece! Como na festa que fui hoje. Era a festa do Refus lá em Niterói. Foi foda! Mas não dava pra não achar ridículo os paga-paus sem camisa. Claro... Festa GLS sempre tem os paga-paus sem camisa. E o pior não era isso. Pior eram os paga-pau que lá pelas tantas tiraram as bermudas e ficaram de sunga... Que coisa mais horrenda!!! Que coisa mais ridícula. Nem que eu estivesse trêbado ou drogado eu ia fazer alguma coisa desse tipo. Haja senso de ridículo, né?

Ainda bem que a festa teve lá suas recompensas. E poder rever o Refus foi ótemo! E conhecer o irmão dele e os amigos foi do cacete. E encontrar minha querida Chriatura foi peeeerfeito!!!

Um bom sábado, cara. Bom sábado!

sábado, julho 22, 2006

estudos científicos com o álcool

Eu sempre fui muito de não gostar de álcool em geral. O sabor não me agrada, e certamente o efeito que causa em mim também não é muito interessante (geralmente, muito sono e irritação). Porém, no último mês, andei fazendo alguns experimentos... Experimentei bloody maries, hi-fis, Long Island iced-tea, pink margaritas, mojitos, margaritas, doses de tequila, chopp, malz-beer, vinho tinto, vinho branco... Todos têm o mesmo efeito, embora alguns outros que venham junto sejam diferenciados. Enquanto o vinho me derruba de cara, tequila me deixa animadaço, seguido de uma leve tonteira. Mojito, por exemplo, me deixa menos inibido e não vem com tonteira ou nada a mais. Os outros quase não têm efeitos além de um mal humor quase incontido e vontade louca de ir pra casa... Então prefiro não beber...

Mas é engraçado notar os efeitos em mim. Porque eu sempre condenei isso nas pessoas e acabei experimentando em mim e notando em MIM o que acontece e é muito doido. Eu totalmente compreendo os que bebem. Tipo ontem... Bebi um pink margarita feito pelo Raimundo lá na Drinkeria Odiada e... uau! A porra subiu dum jeito que... uia! Eu fiquei mais leve. Juro. Sentia meu braço leve como uma pluma e meu corpo flutuar... Esquisito. Só rindo mesmo.... E outro dia eu estava com o Fabio e bebi uma taça de frisante. Credo! Fiquei tonto total, falando merda, com a lingua presa. Esquisito, né?

Enfim... Ainda bem que esse post num é monografia, pq eu to sem conclusão pra botar......

sexta-feira, julho 21, 2006

tchau pro zeca

Ele vai pra Argentina. E eu vou sentir saudade.
Porque eu quase nunca disse... mas eu amo você, Zeca!

Você é um amigo extremamente importante pra minha vida. E ajudou isso tudo a ser muito mais suportável, mesmo que de vez em quando você tivesse insuportáveis momentos. Claro, ninguém é perfeito. Sei que já quis me bater ou me matar de tão pentelho que eu sempre fui. Mas sempre te amei. E você mora dentro do meu coração, meu querido. E pode ir pra longe, pra onde for, daqui você não sai. A amizade aqui é verdadeira.

E eu sei que você volta. E eu vou estar lá no aeroporto com uma plaquinha, com a Peggy ao meu lado, te esperando com uma bela feijoada ou strogonoff de ricota...

Adios, muchacho. Te extrañaré muchíssimo bajito!

o que sempre esteve lá

Achei que o caminho estivesse livre e tentei avançar um pouco. Encontrei algumas pedras, alguns espinhos, mas continuei seguindo. Eu sou teimoso. Olhava para trás buscando a segurança que eu tinha nos teus olhos, no teu toque, mas já não mais te ouvia. Você me berrava que seguisse em frente, que não me prendesse, e eu dizia que já não me prendia, ainda que tivesse meus pés sempre um passo atrás.

Eu tentava te deixar, mas se largava um pé, logo te prendia a mão.

Tentei até fechar os olhos pra fingir que não te via, que não te sentia. E até acreditei. Acreditei até sentir você de novo. E suas mãos não mais me seguravam, mas sim a de um outro. E o outro segurava-se em você, com unhas e dentes, num amor louco, desses de cinema. E você não via mais minha mão, nem eu dependurado por um fio de cabelo, tentando mergulhar e esquecer, mas ainda atado a você num forte nó. E sempre que eu achava que eu ia, o nó apertava e eu voltava pro que eu já conhecia, para aquela segurança de ter meus pés no chão. Eu tinha isso com você.

Até tentei falar com seu novo amor, e ver você com seu novo amor, mas quando abri meus olhos eu vi a tristeza que eu me encontrava, tão feio, esquecido, tão frio. E as vozes diziam "Não insista" e eu continuava te buscando, levando pedras no peito, e a dor de te ver feliz com a mão do outro na tua.

Eu tentei outros sabores, até mesmo de outros estados. Por um momento me enganei e pensei que era o que queria. Novos sabores! E fui a lugares altos, e lugares distantes acreditando na possibilidade de uma nova chama. Mas daí veio o silêncio, a chama se apagou e eu abri os olhos e me vi ali. Doeu, sim. E a nossa refeição a três foi deixada de lado. Porque eu fraquejei. É, às vezes eu sou fraco mesmo.

Aí fechei mais uma vez os olhos... pelo menos pra fingir que não gosto mais de você.

terça-feira, julho 18, 2006

origem

Estava eu aqui pensando comigo mesmo... Sábio o homem que criou a palavra "Morro", em português...
Ele olhou aquele monte de terra com árvore, aquela subida toda, pensou bem, coçou a barba e disse "Se eu subir aí eu morro". Deve ter sido isso....

Cheguei a essa conclusão depois de minha viagem a Pedra do Sino.

piada infame. eu sei. essa foi pra Peggy.


fanTATIco

com uma tecla só

Quem criou o computador fez dele imagem e semelhança da vida. É, acho que dá pra fazer uma analogia utilizando essa afirmação... É como se as pessoas da vida fossem caracteres que a gente pode mudar de lugar o tempo todo. Mas assim como num editor de texto, a gente pode também excluir esses caractéres. Para isso basta apertar uma única tecla... DELETE. E aí você apaga aquele bit, aquele caracter que já não serve mais para o seu texto. E é simples assim para alguns. Claro, tem caractér que como num vírus não sai do computador tão fácil e fica ali te enchendo a paciência. Bons são aqueles que no DELETE desaparecem silenciosamente, sem deixar vestígios. Esses nos poupam trabalho...

segunda-feira, julho 10, 2006

parole, parole, parole...

De vez em quando, por mais brega que ele possa parecer (e eu sei que muita gente vai discordar dessa minha afirmação), Cazuza sabe tocar no fundo da alma das pessoas com suas palavras. Menino danado. Brega, mas danado. Queria saber lidar as palavras como ele pra poder ser menos piegas e saber dizer mais com o menos. Um dia, quem sabe.

sexta-feira, julho 07, 2006

finais e medos

O final do curso chegou. A monografia foi entregue e as notas estão sendo postas na net para quem quiser saber o seu histórico. Eu passei. E finalizei esse curso de dois anos e meio na Gama Filho. E me sinto um vitorioso. Aos vinte e três anos, duas faculdades na cabeça, e pronto pra encarar o mercado de trabalho que, lentamente, vem abrindo suas portas com oportunidades imperdíveis. O Zeca disse que agora eu não posso mais ficar parado. Não vou ficar parado. Agora é minha hora. Vou agarrar essa oportunidade que me apareceu com unhas e dentes e mostrar que eu não sou mais um rostinho bonito que gosta de filme... eu gosto e SEI fazer filmes e trazer um bom resultado final. Eu sou assim, perfeccionista.

Acho que acabou também o meu inferno astral. De repente tudo começa a dar certo. E isso dá medo. Ainda mais quando está indo tudo bem demais. É aquela história da esmola do santo, saca? Mas quer saber? Tô nem aí. Porque eu não vou ficar me preocupando com o depois. Deixa o depois pra depois, como eu disse pro Fabio ontem. Não estou com pressa de nada. Como diria o velho ditado, a pressa é minha inimiga (hihihi... piadinha infame -- só pra descontrair).

Final de semana está aí e viagens estão aparecendo. Sim. Na verdade, uma viagem. Mas eu gosto de fazer igual a Peggy e aumentar um pouco as coisas --- acho que pessoas que vieram da montanha, como nós, e temos conhecimento geral do mundo como um todo, ganhamos com o nosso dom a maldição do aumento... Vamos eu, Pédrinha, Peggy (parece, se o Rodrigo deixar...), Luana e Fabio. Tô feliz de viajar com Fabio. Temos nos dado tão bem. Sei lá... Eu não sei mais bem o que escrever. Tem horas que parece que eu começo a perder o phil da meada e aí phoda... Mas tudo bem, respira, respira....

Vou ver se dou uma dormida agora. Ando muito sonolento esses dias. Com o sono todo desregulado. Vamos ver se com essa viagem eu consigo dormir direito, sem precisar acordar as 8 horas pra ir pro Downtown ou pra qualquer lugar...

Acho que vou ver desenho. É, desenhos relaxam.
Post inútil.

domingo, julho 02, 2006

de novo e de novo

A História se repete. E isso não é segredo para ninguém. É como se houvesse um padrão já pré-estabelecido para as coisas acontecerem e geralmente, a cada período de tempo, tudo volta a acontecer de modo muito similiar, às vezes um pouco pior, às vezes um pouco melhor. Mas as repetições continuam...

A derrota de França sobre Brasil, por exemplo. Novidade? Não. Repetição de 1998. E nesse caso para pior, pois fomos derrotados antes mesmo de chegarmos a final. Outro exemplo de repetição... O povo falando sobre o jogo. É incrível a capacidade das pessoas de se prenderem num único assunto e ficar repetindo isso a vida toda. Ontem, Sábado, era todo mundo falando mal do Parreira, do Ronaldo, do time, porque foi uma merda, porque foi isso, porque foi aquilo. Àguas passadas? Talvez. Mas o orgulho ferido dos brasileiros os impede de seguir em frente e ficamos presos ao passado. Sempre ficamos presos ao passado. E aí começa, logo de manhã, pela 7:30 da manhã, a galera reclamando do Parreira, do Ronaldo, do time, porque foi uma merda, porque foi isso, porque foi aquilo. E o mais impressionante é que todo mundo é muito melhor técnico do que o Parreira. Sim, porque é super fácil comandar um time. Todo mundo sabe fazer isso. E aí os ataques ao pobre homem com nome de pé de uva...

Repetem-se na História também comportamentos de pessoas. As antigas neuroses voltam. Padrões comportamentais também. Porque falar sobre homens em público volta a ser tabu. Querer morrer depois de estar com muito sono, geralmente causado por pequenos goles em bebidas álcoolicas alheias, também volta a passar pela cabeça de outros. Ficar remoendo o passado, imaginando outras possibilidades, também acontece.

A História se repete. E a verdade é que o ser humano gosta de repetições, porque é só assim que sabe lidar com as coisas. Temos medo do desconhecido, aí é mais fácil a gente controlar o que a gente já conhece: as neuroses, as crises, as derrotas, as reclamações. E por mais que se repitam, nunca parecem nos entediar. Bem, talvez as neuroses e crises... E as reclamações. Derrotas a gente supera no próximo jogo do Flamengo ou com alguns copos a mais de chopp.

terça-feira, junho 27, 2006

difícil como sempre foi

Ele me perguntou se eu gostava dele. Eu falei que sim. Falei que sim porque eu gostava de verdade. Talvez não gostasse tanto quanto ele achava que eu gostasse ou achasse que eu deveria gostar, mas gostava. Gostava sim. Mas só gostava. Não era mais que isso e não podia ser mais que isso. É porque é sempre difícil pra mim. É sempre difícil começar de novo. Porque o coração ainda dói tentando pegar do chão os pequenos pedacinhos nos quais se transformou depois da última grande queda.

Ele me olhava nos olhos e me esperava. Sim, ele esperava alguma coisa e isso eu lia com clareza nos olhos azuis. Esperava que eu dissesse que não era por isso que eu dizia as coisas que eu dizia. Seu complexo que faz isso. Ele sempre acha que não é pelo que eu falo. Ele acha que é por causa do outro lance. Mas não era. E não é. Só é um pouco complicado. Complexo? Sim. Porque nada é claro e simples quando se trata em gostar de novo.

Ele disse que eu não devia me apressar. Concordo. Acho que não devo mesmo. Às vezes boto os carros na frente dos bois-- quase sempre na verdade. Aí eu respirei fundo e falei olhando naquele azul que me dá vontade de surfar que eu ia com calma. Porque não tem como apressar isso. "Não se pode apressar o amor", como diria Phill Collins. Mesmo porque amor não é evento, acontecimento; amor é construção. E nenhuma construção fica pronta de uma hora pra outra, dum dia pro outro. É tudo questão de tempo.

Será que é por causa da outra coisa? Eu fico com medo que sim. Mas sei, no fundinho, que não é só isso.

Ele me perguntou se eu gostava dele. Eu falei que sim. Porque eu acho que sim. Mas até onde...? Aí eu já não sei.

máquina do tempo

Por séculos e séculos o homem tenta controlar o tempo a seu favor. Prendemos o tempo num relógio e o obrigamos a mudar a cada sessenta segundos ou sessenta minutos. Ficamos presos em convenções. E aí, não bastando o tempo enjaulado num pedaço de metal, ainda nos enquadramos com tempos já definidos: a hora de almoçar, de sair, de voltar, de malhar, de nascer e até a hora de morrer. O tempo da música, tempo de um filme, de um amor, de uma viagem. Enganamos a velhice com cirurgias plásticas (a fonte da juventude do terceiro milênio) e trapaceamos a realidade com os cortes no cinema. Apressamos o nascimento com fórceps e adiantamos a morte com armas, remédios, lâminas ou máquinas que podem ser desligadas. Mas ainda assim o tempo não pára. Tem gente que tenta voltar no tempo. Mas só conseguem por fotos e memórias -- nossas maquinhas particulares e únicas do tempo (que mesmo assim não são confiáveis, pois memórias se modificam com o passar dos anos).

Mas eis que um dia alguém criou a máquina do tempo. Uma máquina tão impressionante que pode, de fato, parar o mundo. A máquina que pode parar o trânsito, parar as pessoas, parar tudo --até a morte, se bobear ela pára. E essa máquina é a Copa do Mundo.

Impressionante que tudo, absolutamente tudo, pára para ver aquele bando de pessoas pequenininhas correndo atrás da pelota na busca de um gol que, feito lá, se torna um grito aqui. GOOOL! E só depois dos 90 e poucos minutos corridos, tudo volta a funcionar. O trânsito volta a congestionar, bancos voltam a trabalhar, pessoas continuam suas aulas. Enfim, a vida continua. Num rítimo mais lento, mas continua.

Se tivessem inventado a Copa do Mundo antes, será que Colombo teria descoberto a América? Teria Einstein teorizado sobre a relatividade? E a verdade é que muita gente deixou de nascer por causa disso. Afinal, quem é que vai saber de trepar quando a bola está rolando? Só um maluco.

É. Acho que é hora de dormir. Porque o meu relógio começou a afetar o cérebro. Tudo bem... Resultado de 90 minutos em que o Brasil parou. Até São Paulo. Nem uma bomba faz isso.

segunda-feira, junho 26, 2006

a perfect lie

Todo mundo finge. Em algum ponto da vida, mais ou menos, mas finge. Finge um sorriso, finge gostar de alguém, finge um orgasmo. Finge que a roupa é de grife, que o DVD é original, que o cabelo é loiro. Finge que é heterossexual, finge que é normal. E fingimos (sim, eu me incluo nisso) porque fingir virou também sinal de boa educação. "Muito prazer te rever", dizemos mesmo quando queremos dizer: "Que saco que você apareceu!". "Seu filho é tão lindinho", quando pensamos "Que cara de joelho!". "Seu filme ficou tão legal, Malu", quando na verdade não é bem essa a realidade.

Fingimos para nos encaixarmos, para não parecermos mais do que realmente somos: outcasts. Porque ser mais um está na moda. E aí a gente finge ser quem somos, quando na verdade nem mesmos nós sabemos. Fingimos ser autênticos. Logo nós, que achamos que nos conhecer tanto!

Pobres de nós. Na verdade, como diria a Hananza, a gente se encaixa num quadrado imposto por uma sociedade também quadrada. Mas eu... Eu tento. Eu tento fingir, nem que seja pra mim mesmo, que nada disso existe. Porque fingindo que não existem quadrados e formas e moldes e fórmulas, eu posso tentar ser mais original. Eu posso tentar ser mais eu.