Esses dias, num momento "Retrospectiva 2006", reavaliando tudo pelo que passei, estava meio que me lamentando pelo ano que acaba, pensando em tudo o que aconteceu e o que eu quis que acontecesse e cheguei a conclusão de que, no final, apesar das lamentações, foi um bom ano. Não foi como eu esperava que fosse, mas também, se fosse assim a vida seria muito sem graça. Já pensou? Ser tudo como você quer que seja? No final faz bem esses momentos inesperados e as surpresas pelo caminho.
Mas acho que fui fraco. E burro. Deixei meu ano ser definido inteiramente pelo término de meu namoro e por um sentimento muito besta de vazio que tomou conta de mim. Tentei me envolver com pessoas erradas - as vezes a pessoa estava certa, mas o momento não bateu muito bem -- e tentei ser o que eu não era. Realizei, sim, muita coisa que me tinha vontade de fazer e descobri um eu muito divertido, desses que consegue, por exemplo, acompanhar uma tarde com a Peggy. Descobri os efeitos esquisitos que a bebida faz com a gente (sempre com classe, claro - a não ser pela prática de yoga no meio da Drinkeria certa vez) e como é interessante como eu fico quando bebo uma Tequila Sunrise ou uma Pink Margarita.
Também descobri meus limites: físico, mental e emocional. Descobri que eu consigo me superar também. Realizei o sonho de subir numa prancha e surfar, trabalhei com cinema ganhando para isso, trabalhei com cinema sem ganhar mas com gente que vale muito mais que qualquer dinheiro. Peneirei minha vida, deixando apenas amigos que realmente são amigos. Perdi a paciência com coisas que não devia e deixei que essas coisas tomassem conta de mim por uns momentos.
Fui fraco, sim, quando, por vezes, fingi não sentir o que sentia para proteger. Mas nunca deixei de ser o que sou. Nunca fingi ser quem não sou. Acho que isso conta pontos pra mim. A gente não pode se perder, não importa o que aconteça. Me anulei por um momento, elevando os outros, fazendo as coisas pelos outros e não por mim -- daí o fato de estar feliz com a mudança para Floripa: vim para arriscar, tentar uma vida nova e, acredito, fugir.
Um novo ano chega. Dessa vez, quando estiver pra virar, não vou dizer "Esse é o meu ano!", ou muito menos planejar ser feliz. Porque essas coisas a gente não planeja. Essas coisas a gente FAZ acontecer. Não precisa ser o "meu ano" pra eu conseguir ser feliz e estar completo. Pode, sim, estar completo e pra isso eu já descobri o caminho: eu mesmo. Depois de meses lidando com sentimentos loucos, que iam desde um amor profundo a total indiferença (ainda que fingida, sem que eu mesmo soubesse), eu estou bem comigo mesmo.
É esquisito falar esse tipo de coisa. Novamente, acho que esse post não tem pé nem cabeça --- pros outros.